A mobilização dos funcionários da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil ganhou novos capítulos nesta quinta-feira, 10 de setembro. O cenário ainda é de paralisação por tempo indeterminado na Caixa, com movimento nacional, enquanto no Banco do Brasil a greve ocorre de forma parcial, nas bases que rejeitaram o acordo. As negociações, porém, permanecem em andamento e novas decisões dos trabalhadores poderão alterar a abrangência do movimento nos próximos dias.

No BB, a orientação é para que as bases realizem novas assembleias e reavaliem a situação diante das decisões tomadas em diferentes estados. Na Caixa, uma nova rodada de negociação foi marcada para esta quinta-feira, com expectativa de apresentação de uma nova proposta.

Banco do Brasil terá novas assembleias

No Banco do Brasil, a CONTEC orientou as entidades representativas dos funcionários a realizarem novas assembleias até esta quinta-feira (10). A intenção é permitir que os trabalhadores reavaliem a posição de suas bases considerando não apenas os resultados das votações locais, mas também o cenário nacional da categoria.

A orientação não representa uma indicação da CONTEC pela deflagração ou pela suspensão da greve. A entidade defende que cada base tenha a oportunidade de analisar novamente a situação com informações atualizadas sobre a mobilização em diferentes regiões antes de definir os próximos passos.

Após as assembleias, as entidades deverão comunicar imediatamente os resultados à CONTEC.

A nova rodada de avaliações ocorre depois de parte dos sindicatos rejeitar a proposta negociada com o BB. Ao todo, 60 entidades não aprovaram o acordo, incluindo bases de Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Pernambuco e Florianópolis.

Reajuste é principal ponto de insatisfação

Um dos principais pontos de discordância é o reajuste de INPC mais 0,6% de aumento real, considerado insuficiente por algumas bases. O Banco do Brasil, entretanto, informou que não pretende apresentar uma nova proposta e considera que o percentual oferecido representa o limite possível no atual cenário.

A negociação também passou a ser pressionada pelo calendário de assinatura dos instrumentos coletivos e pelo pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

Segundo informações apresentadas pelo banco, a primeira parcela da PLR deverá ser paga em até 72 horas após a conclusão de todas as assinaturas. Já a formalização do acordo ainda em outubro é apontada como necessária para preservar o pagamento final previsto para fevereiro de 2027.

A CONTEC também tenta ampliar o prazo para adesão aos instrumentos coletivos. O limite inicialmente estabelecido pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) é 11 de setembro, mas as entidades buscam estender o período até 13 de setembro.

A confederação alerta que a ausência de assinatura poderá afetar o pagamento da PLR e direitos previstos especificamente nos acordos coletivos. Por isso, a orientação é que os sindicatos avaliem os possíveis impactos antes de definir a posição de cada base.

Caixa reabre negociação nesta quinta

Na Caixa Econômica Federal, o cenário também teve uma nova mudança. Depois da rejeição da proposta apresentada aos empregados e do avanço das paralisações, o banco decidiu reabrir as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2028.

Uma nova reunião com a CONTEC estava marcada para esta quinta-feira, 10 de setembro, às 9h, em São Paulo. A expectativa dos representantes dos trabalhadores é que a Caixa apresente uma nova proposta capaz de atender às principais reivindicações e seja posteriormente submetida às assembleias.

A retomada acontece depois que assembleias realizadas em diferentes regiões rejeitaram a proposta anterior. Alguns estados já iniciaram a paralisação, enquanto a maioria das bases começa a greve nesta quinta-feira.

Segundo Willian Louzada, coordenador da Mesa de Negociação CONTEC/Caixa, os trabalhadores esperam que o banco apresente uma proposta considerada aceitável pela categoria.

A Caixa já havia encaminhado ofício às entidades sindicais solicitando formalmente a reabertura das negociações. O documento registra que o ACT anterior encerrou sua vigência em 31 de agosto, mas suas condições foram mantidas provisoriamente enquanto as tratativas continuavam.

O banco também sinalizou a possibilidade de realizar uma nova prorrogação provisória do acordo anterior caso exista uma expectativa concreta de conclusão das negociações. A medida permitiria manter temporariamente as condições atualmente vigentes durante o período necessário para construir um novo ACT.

O que foi acordado

Enquanto as negociações específicas da Caixa e do Banco do Brasil continuam, a nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria bancária foi assinada na quarta-feira, 9 de setembro, pela Fenaban e pelos representantes dos trabalhadores.

O acordo estabelece reposição integral da inflação medida pelo INPC mais aumento real de 0,6% nos próximos dois anos. O reajuste também será aplicado ao vale-alimentação, vale-refeição, PLR e demais auxílios previstos.

A convenção também trouxe medidas relacionadas à saúde mental, combate ao assédio, direito à desconexão fora do horário de trabalho e maior transparência sobre o monitoramento digital dos empregados.

Outro ponto previsto é a criação de um programa de qualificação e recolocação profissional, além de melhorias na indenização destinada a trabalhadores de bancos privados demitidos em razão do fechamento de agências.

Greve pode mudar após novas negociações

Com as novas assembleias no Banco do Brasil e a reabertura da negociação na Caixa, o movimento dos bancários ainda pode sofrer alterações.

No BB, cada base deverá avaliar novamente a situação nacional e decidir se mantém, inicia ou suspende a paralisação. Na Caixa, a expectativa está concentrada na proposta que será apresentada pelo banco nesta quinta-feira e que poderá ser levada posteriormente para avaliação dos trabalhadores.

Dessa forma, a greve permanece em andamento, mas o resultado das novas negociações e assembleias será determinante para definir os próximos passos da categoria.