Após meses de incerteza provocados por investigações sobre possíveis fraudes, os candidatos do concurso do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE PE) receberam uma definição oficial sobre o futuro do certame. O órgão e a Fundação Getulio Vargas (FGV) anunciaram a retomada do processo seletivo, com a anulação das provas de quatro cargos específicos e a reaplicação das avaliações nos dias 23 e 30 de agosto de 2026.

A decisão foi divulgada em Nota Conjunta publicada na sexta-feira, dia 12 de junho e ocorre após a análise de evidências documentais, dados estatísticos e informações compartilhadas pelas autoridades responsáveis pelas investigações.

Segundo a comissão do concurso, as irregularidades identificadas ficaram restritas a determinados cargos, permitindo a continuidade do certame para as demais áreas sem prejuízo à lisura do processo seletivo.

O concurso do TCE PE é regido pelo Edital nº 01/2025 e prevê o provimento de vagas imediatas e formação de cadastro de reserva para cargos do quadro de pessoal do Tribunal. As inscrições não serão reabertas e apenas estes 4 cargos terão reaplicação de provas para quem esteve presente na primeira aplicação.

De acordo com a nota oficial, a comissão responsável concluiu que houve tentativa de fraude em quatro cargos, o que levou à adoção de medidas corretivas para garantir a legalidade, a isonomia e a credibilidade do concurso.

Com isso, serão excluídos do certame os candidatos identificados como envolvidos nas irregularidades apuradas. Além da exclusão dos suspeitos, o TCE PE e a FGV determinaram a anulação das provas objetiva e discursiva dos seguintes cargos:

  • Auditor de Controle Externo - Contas Públicas;
  • Auditor de Controle Externo - Tecnologia da Informação;
  • Analista de Controle Externo - Contas Públicas;
  • Analista de Gestão - Administração.

As provas desses cargos serão reaplicadas exclusivamente para os candidatos que compareceram à aplicação original, desde que não tenham sido eliminados e não estejam envolvidos nas investigações.

Os candidatos ausentes na primeira aplicação não poderão participar da nova etapa.

  • A nova aplicação das provas está prevista para os dias 23 e 30 de agosto de 2026.

Os horários, locais de prova e demais orientações serão divulgados posteriormente pelo site da Fundação Getulio Vargas, juntamente com o cronograma atualizado do certame.

Segundo a banca organizadora, as novas avaliações seguirão critérios técnicos que assegurem igualdade de condições entre os participantes.

6 cargos seguem cronograma normal

As investigações também concluíram que não foram encontrados elementos capazes de comprometer a regularidade das provas aplicadas para outros seis cargos do concurso. Dessa forma, o cronograma será normalmente para as seguintes funções:

  • Auditor de Controle Externo - Contas Públicas de Saúde;
  • Auditor de Controle Externo - Obras Públicas;
  • Analista de Controle Externo - Obras Públicas;
  • Analista de Controle Externo - Tecnologia da Informação;
  • Analista de Gestão - Julgamento;
  • Procurador do Tribunal de Contas.

Para esses cargos, o TCE-PE informou que será realizada a republicação do resultado preliminar da prova objetiva. Além disso, haverá reabertura integral do prazo para interposição de recursos, garantindo aos candidatos o direito ao contraditório e à ampla defesa nas etapas subsequentes.

O novo cronograma com todas as datas atualizadas será divulgado em breve no site da FGV.

Entenda o caso e a Operação Crivo

O concurso do TCE-PE foi suspenso após o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Civil de Pernambuco.

No dia 25 de março de 2026, a corporação deflagrou a Operação Crivo, que apurou um esquema de fraudes em concursos públicos por meio da utilização de sósias - pessoas contratadas para realizar provas no lugar dos candidatos inscritos.

A investigação ocorreu simultaneamente à Operação Kyma, responsável por desarticular uma organização criminosa suspeita de comercializar gabaritos e fraudar seleções públicas no estado.

Segundo as autoridades, o grupo investigado atuava há pelo menos dez anos em Pernambuco, com envolvimento em concursos de diferentes órgãos e instituições.

As apurações relacionadas ao TCE-PE envolveram a análise de materiais apreendidos, cruzamento de dados estatísticos, perícias documentais e informações compartilhadas pelos órgãos de investigação.

Com base nesses elementos, a Comissão do Concurso concluiu que as irregularidades não afetaram o certame, tornando desnecessária a anulação geral dessas provas.