A tentativa de fraudar o concurso da Secretaria da Economia de Goiás (SEFAZ-GO) terminou em prisão e eliminação imediata do certame para um candidato de 28 anos. O caso, registrado durante a aplicação das provas para auditor fiscal no último domingo (17), em Goiânia, chamou a atenção pela forma utilizada no esquema. O suspeito teria escondido um celular atrás de um vaso sanitário do banheiro do local de prova para fotografar questões e receber respostas enviadas pela própria esposa.
A ocorrência foi confirmada pela Fundação Carlos Chagas (FCC), organizadora do concurso, que informou ter identificado irregularidades por meio dos protocolos de segurança adotados durante a aplicação das provas. A banca destacou ainda que o participante foi eliminado conforme previsto no edital do certame.
Como funcionava o esquema
Segundo a Polícia Civil de Goiás, o homem escondia o caderno de questões dentro da roupa, saía da sala em direção ao banheiro e utilizava o aparelho celular oculto no local para fotografar as perguntas da prova. As imagens eram encaminhadas via WhatsApp para a esposa, de 24 anos, que utilizava ferramentas de inteligência artificial, incluindo o ChatGPT, para tentar localizar respostas e reenviá-las ao candidato.
O esquema foi descoberto após fiscais perceberem movimentações suspeitas do participante durante a realização da avaliação. Ao verificarem o banheiro utilizado pelo candidato, os aplicadores encontraram o celular escondido atrás do vaso sanitário. A Polícia Civil foi acionada imediatamente e realizou a abordagem do suspeito ainda durante a aplicação das provas.
A corporação informou que tanto o candidato quanto a esposa confessaram participação na tentativa de fraude. Os dois foram levados para a delegacia e autuados pelo crime de fraude em concurso público. Após o pagamento de fiança, o casal foi liberado para responder ao processo em liberdade.
Concurso é um dos mais disputados do estado
O episódio ganhou grande repercussão porque o concurso da SEFAZ-GO é considerado um dos mais concorridos de Goiás. A seleção oferece vagas para auditor fiscal da Receita Estadual, carreira conhecida pelos altos salários e pela intensa disputa entre candidatos de todo o país.
De acordo com a FCC, a exclusão do participante está respaldada no item 7.20 do edital, que prevê eliminação para qualquer candidato flagrado utilizando meios ilícitos durante a realização das provas.
Entre as hipóteses descritas no documento estão o uso de aparelhos eletrônicos, comunicação com terceiros, tentativa de obtenção de vantagem indevida e utilização de materiais não autorizados.
Regras do edital preveem eliminação imediata
O edital também estabelece que será excluído o participante que for surpreendido "em comunicação com outras pessoas" ou que "lançar mão de meios ilícitos para a execução das provas".
Outro trecho determina a eliminação de candidatos flagrados com aparelhos eletrônicos, como celulares, relógios inteligentes, tablets, notebooks ou dispositivos similares.
Além disso, o documento traz regras rígidas de segurança para evitar fraudes e vazamentos de questões. Os candidatos precisaram acondicionar aparelhos eletrônicos em embalagens lacradas fornecidas pela organização, além de passar por detectores de metais antes do ingresso nas salas.
Fundação Carlos Chagas se manifesta
Em nota, a Fundação Carlos Chagas afirmou que a fraude foi identificada graças aos mecanismos de segurança implementados no concurso. A banca ressaltou que mantém protocolos rigorosos para garantir a lisura dos certames organizados pela instituição.
"A Fundação Carlos Chagas esclarece que, a partir de procedimentos de segurança adotados durante a aplicação das provas do Concurso Público da Secretaria da Economia do Estado de Goiás, foram identificadas condutas praticadas por um candidato na tentativa de infringir as regras do Edital de Abertura de Inscrições objetivando, possivelmente, obter vantagens pessoal e/ou para terceiros", informou a entidade.
A organizadora acrescentou ainda que a Polícia Civil foi acionada imediatamente após a constatação da irregularidade. Segundo a FCC, o caso não compromete a credibilidade nem a segurança geral do concurso.
Secretaria da Economia diz que caso foi isolado
A Secretaria da Economia de Goiás também se manifestou oficialmente sobre a ocorrência. Em comunicado, a pasta destacou que a situação foi detectada pelas equipes de fiscalização da banca organizadora e tratada rapidamente pelas autoridades.
A secretaria afirmou que todos os protocolos previstos para a aplicação das provas foram seguidos, incluindo fiscalização contínua, uso de detectores de metais e controle rígido de eletrônicos. O órgão reforçou ainda que o caso foi isolado e não comprometeu a lisura do certame.
"A Polícia Civil foi acionada e conduziu o suspeito para os procedimentos legais cabíveis. A banca organizadora adotou todos os protocolos de segurança previstos para a realização das provas, incluindo detectores de metais, acondicionamento obrigatório de eletrônicos em envelopes lacrados e fiscalização contínua durante a aplicação", destacou a pasta.
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