O Banco Central pode ter um novo concurso público após declarações do presidente da instituição, Gabriel GalÃpolo, durante audiência no Senado Federal. Em meio ao aumento do número de instituições financeiras no paÃs e ao avanço das aposentadorias no órgão, GalÃpolo alertou para a severa falta de servidores e defendeu a aprovação da autonomia do BC na Casa para reforçar a estrutura do Bacen, reacendendo a expectativa por um novo edital de concurso.
As falas ocorreram na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, na última terça-feira (19), quando o presidente do BC comentou as dificuldades enfrentadas pela autarquia para fiscalizar adequadamente o sistema financeiro nacional. Segundo ele, o déficit de pessoal já começa a comprometer atividades básicas de supervisão.
De acordo com GalÃpolo, o Banco Central vive um cenário preocupante diante da redução do quadro funcional e do crescimento constante do mercado financeiro brasileiro. Ele afirmou que a instituição terá de "priorizar riscos", já que não possui servidores suficientes para acompanhar todas as operações da forma considerada ideal.
'Cobertor curto'
O presidente da autarquia disse que o Bacen precisará definir quais áreas terão prioridade de fiscalização caso não haja reforço urgente de pessoal.
A declaração aumentou ainda mais a pressão pela autorização de um novo concurso Banco Central, especialmente porque o último certame perdeu a validade neste ano e já não há cadastro de reserva disponÃvel para novas convocações.
Déficit de servidores preocupa direção do BC
Durante a audiência pública, GalÃpolo revelou que o Banco Central perdeu cerca de 1.200 servidores nos últimos dez anos. Segundo ele, somente em 2026, aproximadamente 100 servidores da área de supervisão deverão se aposentar.
Com isso, o setor responsável pela fiscalização financeira poderá cair de cerca de 600 para 500 profissionais, justamente em um momento de expansão do sistema bancário e do número de instituições autorizadas a operar no paÃs.
O presidente comparou a estrutura brasileira com a de órgãos internacionais de supervisão financeira. Segundo ele, enquanto bancos centrais europeus contam com dezenas de servidores acompanhando uma única instituição financeira, no Brasil a realidade é inversa.
GalÃpolo destacou que há situações em que um único servidor precisa acompanhar dezenas de instituições simultaneamente, cenário considerado preocupante para a segurança e estabilidade do sistema financeiro.
A fala foi interpretada nos bastidores como um forte argumento em defesa da ampliação da autonomia operacional do Banco Central, incluindo a autorização para novos concursos e reposição de pessoal. Veja a declaração:
Gabriel GalÃpolo afirma que a falta de servidores no Banco Central começará a afetar o controle do órgão nas fiscalizações. Em audiência no Senado, nesta terça-feira (19), ele diz que: "A gente vai ter que começar a fazer uma gestão de risco dizendo assim: não há cobertor para… pic.twitter.com/mTtLGv5HVe
— GloboNews (@GloboNews) May 19, 2026
BC possui mais de 3 mil cargos vagos
Dados atualizados do Portal da Transparência mostram que o Banco Central acumula atualmente 3.160 cargos vagos em sua estrutura funcional.
O déficit está distribuÃdo entre três carreiras principais:
- Auditor do Banco Central: 2.537 cargos vagos;
- Procurador do Banco Central: 149 cargos vagos;
- Técnico do Banco Central: 474 cargos vagos.
O cargo de auditor, antiga carreira de analista do Banco Central, exige nÃvel superior completo e possui remuneração inicial de R$ 18.033,52.
Já o cargo de Técnico do Banco Central exige nÃvel médio completo e oferece salário inicial de R$ 7.453,62.
Para Procurador, a exigência é graduação em Direito e pelo menos dois anos de prática forense. A remuneração inicial chega a R$ 24.967,31.
Com o encerramento da validade do último concurso, ocorrido em março deste ano, o Banco Central ficou impossibilitado de realizar novas nomeações.
Novo edital ainda é incerto
Em 2025, o Banco Central encaminhou ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) um pedido de autorização para realização de novo concurso com 560 vagas. Essa solicitação foi distribuÃda da seguinte forma:
- 410 vagas para auditor;
- 110 vagas para técnico;
- 40 vagas para procurador.
Até o momento, porém, o governo federal ainda não divulgou parecer definitivo sobre o pedido. Com a proximidade do prazo para envio das demandas de concursos federais ao orçamento da União, a expectativa é que o Banco Central apresente um novo pleito até o fim de maio/26.
Os órgãos federais têm até o dia 31 de maio para encaminhar solicitações visando inclusão no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA).
Último concurso de 2024
O último concurso público do Banco Central foi realizado em 2024 e contou com organização do Cebraspe. Na ocasião, foram ofertadas 300 vagas, sendo:
- 100 vagas imediatas;
- 200 vagas para cadastro de reserva.
As oportunidades foram destinadas ao cargo de Analista do Banco Central, atualmente denominado auditor, nas áreas de:
- Economia e Finanças Públicas;
- Tecnologia da Informação.
O requisito foi nÃvel superior completo em qualquer área de formação. Os candidatos passaram pelas seguintes etapas:
- provas objetivas;
- provas discursivas;
- sindicância de vida pregressa;
- avaliação de tÃtulos;
- Programa de Capacitação (Procap).
100
22/01/2024
20/02/2024
R$ 20.924,80
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