A necessidade de um novo concurso para a área administrativa da Polícia Rodoviária Federal (PRF) ganhou ainda mais força após a divulgação de novos dados sobre o quadro de pessoal da corporação. Um levantamento atualizado mostra que quase metade dos cargos de agente administrativo está desocupada, cenário que amplia a pressão pela autorização de um novo edital e evidencia a crescente defasagem de servidores responsáveis pelas atividades de apoio da instituição.

Segundo a PRF, atualmente existem 273 cargos vagos de agente administrativo, função de nível médio pertencente ao Plano Especial de Cargos da Polícia Rodoviária Federal (PECPRF). O número representa aproximadamente 50% das vagas previstas para a carreira e demonstra que a falta de servidores administrativos continua aumentando enquanto o pedido para realização de um novo concurso segue em análise no Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).

Os novos dados revelam uma piora em relação ao último levantamento divulgado pela corporação. Em 2024, a PRF informava a existência de 236 cargos vagos e 310 ocupados, totalizando 546 postos previstos para a carreira. Agora, com 273 vagas desocupadas, a defasagem cresce ainda mais e passa a representar exatamente metade do quadro de agentes administrativos.

Além das vagas destinadas ao setor administrativo, a Polícia Rodoviária Federal também confirmou que possui 369 cargos vagos de policial rodoviário federal, reforçando a necessidade de recomposição do efetivo em diferentes áreas da instituição.

Pedido para novo concurso continua em análise

O aumento das vacâncias ocorre enquanto a PRF aguarda uma manifestação do Ministério da Gestão sobre o pedido de autorização para um novo concurso público. Neste ano, a corporação encaminhou solicitação para o provimento de 264 vagas de agente administrativo, quantitativo considerado suficiente para reduzir parte do déficit atualmente existente.

O pedido integra a relação de concursos federais que permanecem sob análise do Governo Federal e ainda não recebeu decisão definitiva. A expectativa de muitos candidatos é que a autorização seja concedida ainda este ano, permitindo o início dos preparativos para publicação do edital.

Embora o calendário eleitoral tenha reduzido o ritmo de divulgação de novas autorizações, especialistas lembram que a legislação não impede que concursos públicos sejam autorizados durante esse período. Ainda assim, a tendência é que parte das análises seja retomada com maior intensidade após o encerramento do chamado defeso eleitoral.

Caso o aval seja concedido, a PRF poderá iniciar etapas como definição da banca organizadora, elaboração do cronograma e publicação do edital.

Carreira exige nível médio

O cargo de agente administrativo da Polícia Rodoviária Federal exige escolaridade de nível médio completo e integra o Plano Especial de Cargos da instituição. Os profissionais atuam em áreas como gestão de pessoas, protocolo, atendimento ao público, orçamento, patrimônio, contratos, logística e demais setores administrativos que garantem o funcionamento da corporação.

Qual a remuneração do Agente Administrativo da PRF?

A remuneração do Agente Administrativo da PRF segue o Plano Geral de Cargos do Poder Executivo (PGPE) e foi reajustada pela Lei nº 15.141, com aumento de 9% em 2025 e mais 5% em abril de 2026.

O salário é composto pelo vencimento básico e pela Gratificação de Desempenho (GDATPRF), que varia conforme a avaliação do servidor. Atualmente, a remuneração vai de R$ 5.920,81 (A I, com GDATPRF de 100 pontos) até R$ 6.785,26 (Especial V, com GDATPRF de 100 pontos).

Além do salário, o servidor recebe benefícios como auxílio-alimentação de R$ 1.000, auxílio-saúde e assistência pré-escolar. Confira abaixo a tabela salarial atualizada do cargo.

Déficit afeta funcionamento da corporação

A carência de servidores administrativos vai além da simples existência de cargos vagos. Segundo a própria Polícia Rodoviária Federal, o déficit acaba impactando diretamente a distribuição das atividades dentro da instituição.

Com a falta de agentes administrativos, policiais rodoviários federais precisam assumir funções burocráticas e de apoio interno que poderiam ser desempenhadas por servidores da área administrativa. Como consequência, parte do efetivo policial deixa de atuar em atividades operacionais, como fiscalização das rodovias, combate ao crime e ações de segurança viária.

Por esse motivo, a realização do novo concurso é considerada estratégica pela corporação. A contratação de agentes administrativos permitiria redistribuir as atribuições internas e devolver policiais às atividades-fim, fortalecendo o trabalho operacional da PRF em todo o país.