Em coletiva realizada nesta terça-feira (17), a ministra Esther Dweck apresentou um panorama detalhado da 2ª edição do Concurso Público Nacional Unificado, destacando avanços na inclusão, redução da abstenção e como será a convocação dos aprovados.

Coordenado pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, em parceria com a Escola Nacional de Administração Pública e com execução da Fundação Getulio Vargas, o chamado "Enem dos concursos" veio pra ficar, mas um novo edital não foi anunciado por enquanto - veja a coletiva na íntegra.

Na segunda edição ocorreu o aumento no número de órgãos participantes, passando de 21 na primeira para 32 agora em 2025.

Terá CNU em 2026?

Não. A ministra foi categórica em dizer que não haverá um novo concurso nacional unificado este ano. O CNU da 1ª edição teve 13 mil aprovados em cadastro reserva e o CNU 2 soma agora mais 7 mil candidatos em CR, somando 20 mil pessoas aptas a assumirem novos postos. Assim, um novo concurso unificado não será necessário este ano.

CNU não terá edição em 2026 e vai convocar aprovados neste ano - Ache Concursos

CNU é modelo nacional de seleção

A segunda edição do CNU ofertou 3.652 vagas distribuídas entre 32 órgãos e entidades federais, com provas aplicadas em 228 cidades em todo o país. Ao todo, 761.545 candidatos se inscreveram, vindos de 4.951 municípios diferentes.

Um dos principais destaques foi a redução na taxa de abstenção. Enquanto na primeira edição o índice chegou a 54%, o CNU de 2025 teve 42% na primeira prova e apenas 21% na segunda fase, indicando maior engajamento dos candidatos ao longo do processo seletivo.

Outros estados estão aderindo a essa ideia e também promovendo seleções unificadas. Após o governo de Pernambuco publica um edital nesses moldes, nesta terça-feira (17) o governo do Rio Grande do Norte lançou edital unificado com vagas no IPERN, DETRAN e CEASA, realizando uma única seleção para estes 3 órgãos de forma conjunta.

40% dos aprovados no CNU são cotistas

Os dados apresentados pelo MGI apontam avanços importantes nas políticas de inclusão dentro do serviço público federal. Entre os aprovados:

  • 48,4% são mulheres, um crescimento relevante em relação aos 37% registrados na edição anterior;
  • 40,5% pertencem a grupos contemplados por ações afirmativas, incluindo pessoas negras, indígenas, quilombolas e com deficiência - índice superior aos 33,6% do CNU 1.

O perfil também mostra maior diversidade territorial. Candidatos aprovados são oriundos de 578 cidades e de todos os 27 estados brasileiros.

Na distribuição regional, o Sudeste lidera com 34,5% dos aprovados, seguido pelo Nordeste (29,3%), Centro-Oeste (25,3%), Sul (5,7%) e Norte (5,2%). O crescimento da participação nordestina em relação à edição anterior foi destacado como um avanço.

Participação feminina cresce em áreas estratégicas

Outro ponto importante do balanço foi a ampliação da presença feminina em diversas áreas. No total geral, quase metade dos aprovados são mulheres, com destaque para áreas como Seguridade Social e Saúde, onde elas representam mais de 70% dos selecionados.

Também houve participação em Cultura e Educação (56,1%) e Administração (53,9%). Por outro lado, áreas como Engenharia, Tecnologia e Desenvolvimento Socioeconômico ainda apresentam predominância masculina, o que indica desafios futuros para maior equilíbrio.

Durante a coletiva, a ministra Esther Dweck ressaltou que o CNU faz parte de uma política mais ampla de fortalecimento do serviço público.

Desde 2023, o governo registra saldo positivo de 2.835 vagas, considerando admissões e aposentadorias. Ainda assim, o cenário exige atenção: a previsão é de que cerca de 70 mil servidores se aposentem entre 2026 e 2030.

Esse contexto reforça a necessidade de continuidade das seleções públicas, seja por meio do CNU ou de concursos específicos. Entre as autorizações recentes de vagas estão áreas estratégicas como:

  • INSS e médicos peritos: 2.050 vagas;
  • Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal: 1.187 vagas;
  • Analistas ambientais: 1.097 vagas;
  • Auditor Fiscal do Trabalho: 855 vagas;
  • Fiocruz: 600 vagas;
  • Funai: 715 vagas;
  • Agências reguladoras: 883 vagas;
  • Auditor do Banco Central: 300 vagas.

Desde 2023, mais de 50 medidas foram implementadas com foco em gestão de pessoas, digitalização e reorganização administrativa.

Entre os avanços estão:

  • Estruturas mais simples e flexíveis;
  • Ampliação de carreiras transversais;
  • Alongamento das carreiras, com até 20 níveis de progressão;
  • Uso de metodologias para dimensionamento da força de trabalho antes da abertura de novos concursos.

Um dos marcos desse processo é o Projeto de Lei 5874, que consolidou mudanças estruturais e criou a carreira transversal de Analista Técnico do Poder Executivo, com 1.000 vagas ofertadas nesta edição do CPNU.

Chamadas e nomeações

O MGI divulgou na última segunda-feira (16) o resultado final da segunda edição do CNU 2, que oferece 3.652 vagas no serviço público federal.

Com a conclusão das etapas do certame, organizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o processo entra agora na fase de convocação dos aprovados para ingresso nos órgãos federais.

Os candidatos já podem consultar a classificação final no site da FGV.

As listas incluem aprovados dentro das vagas imediatas e também os nomes que passam a compor o cadastro de reserva, após as etapas de confirmação de interesse. As chamadas dependem agora de cada órgão e liberação orçamentária da União.