Ritalina e concursos: O efeito da droga nos estudos

Conhecida como a "pílula da inteligência", a Ritalina é amplamente utilizada por estudantes que buscam bom desempenho nos estudos e nas provas. Saiba mais para não cair nessa armadilha.

Por: Juliana Xavier
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A Ritalina chega aos ouvidos dos concurseiros por indicação de amigos e conhecidos que relatam já ter feito uso do medicamento e dos efeitos que ela traz durante a preparação. Com isso, um número cada vez maior de estudantes utiliza a droga a partir da promessa, suposta diga-se de passagem, de uma melhoria na concentração e atenção durante os estudos e durante as provas.

Surgido na década de 50, o metilfenidato, princípio ativo do medicamento conhecido como Ritalina, é indicado para o tratamento de crianças que apresentam quadros de transtornos como déficit de atenção e hiperatividade. A droga, utilizada para tratar desequilíbrios infantis, passou a ser popular e aparece entre um número cada vez maior de adultos, principalmente estudantes.

Popularmente, a Ritalina ganhou apelidos como "pílula da inteligência" ou "droga dos concurseiros" e não é preciso muito trabalho para encontrar a venda da droga de forma ilegal, sem a necessidade de prescrição médica. Lembrando que os remédios que contêm o metilfenidato possuem tarja preta, isto é, são de uso controlado e necessitam de acompanhamento e indicação médica.

Ritalina e concursos não combinamIsso porque, dentre os princípios ativos do metilfenidato, está o de potencializar a ação dos neurotransmissores como noradrenalina e dopamina, consequentemente reduzindo o déficit de atenção. Com isso, a pessoa hiperativa fica mais atenta e concentrada. Sendo assim, nas mãos de concurseiros, a droga é amplamente utilizada sob a ilusão de que proporcionará mais atenção e concentração nos estudos e, a partir de então, uma maior capacidade de acumular informações em menos tempo, driblando o cansaço e o desgaste.

Relatos de estudantes usuários de Ritalina alegam que é possível estudar horas "a fio", sem cansaço físico e mental, otimizando os conteúdos a serem lidos e, com isso, armazenando a maior quantidade de informações possível. Se realmente acontecesse conforme a "promessa", o candidato teria uma grande vantagem frente aos concorrentes, tornando-se um "super-cérebro" no desempenho em concursos.

Com todas essas informações, é compreensível que os concurseiros se rendam aos apelos e promessas que a Ritalina "oferece". Muitos trabalham e precisam ganhar tempo durante as poucas horas do dia que restam para os estudos. São milhares de candidatos a cada seleção, são diversos conteúdos a serem vistos em, muitas vezes, um curto período de tempo. Para alguns, são inúmeros concursos até conseguir uma aprovação. Naturalmente, não somente o desgaste físico e mental surgem na vida dos estudantes, como também o desgaste emocional, como ansiedade, desânimo, preocupações e pressões.

Contudo, como diz o ditado: "nem tudo que reluz é ouro". É preciso muito cuidado e atenção no momento de consumir uma droga que, para a área médica, deve ser controlada e utilizada conforme diagnóstico seguido de prescrição profissional. Ao ser utilizada de forma equivocada por pessoas que não apresentam o distúrbio e não foram submetidas à análises médicas, a droga, como o nome já diz, provoca dependência, forçando o estudante a ir utilizando uma dose cada vez maior na medida em que o corpo já não corresponde como anteriormente ao medicamento. E, como toda dependência química - inclusive, a Ritalina tem o mesmo mecanismo de ação da cocaína, sendo classificada pela Drug Enforcement Administration - DEA (Agência de Controle de Drogas dos Estados Unidos) como um narcótico - os efeitos colaterais causam um grande dano à saúde da pessoa como um todo.

Pesquisas, como a da Universidade Federal de São Paulo, tem mostrado que a droga não beneficia a atenção e as funções executivas (capacidade de planejar e executar tarefas) em jovens sem o transtorno. Para certos profissionais da área médica, é uma ilusão acreditar que a Ritalina beneficia o desempenho nos estudos. O fato de concurseiros relatarem que conseguem ficar uma noite inteira estudando com o uso da Ritalina é interpretado de forma equivocada, uma vez que isso acontece não por que o indivíduo está com a atenção potencializada e sim por que está acordado e desperto. Com isso, os efeitos no corpo, após o efeito realmente passar, serão devastadores para a saúde biológica da pessoa.

Entendendo o funcionamento do corpo

Apelar para medicamentos que potencializam os desempenhos mentais representam um desrespeito com o cérebro e o seu funcionamento em cada indivíduo. Em qualquer atividade mental, há uma curva de aprendizagem, conceito esse desenvolvido pelos estudiosos Hermann Ebbinghaus e Thedore Paul Wright. A questão, portanto, é que o processo de aprendizagem não é linear. Isto é, durante os estudos, haverá um ponto ótimo de aproveitamento, assim como haverá uma queda das atividades mentais, uma vez que o corpo já atingiu as suas possibilidades para o momento. Em qualquer processo produtivo, existirão momentos e situações de otimização positiva e/ou negativa dos resultados.

Não será forçando o corpo a estudar 10 horas que se terá a garantia de eficiência desse processo. É, no mínimo, importante lembrar que o cérebro consiste em uma estrutura bio-fisiológica complexa, que compõe um organismo vivo e natural, isto é, ele não funciona como uma máquina. Por fazer parte de um todo, como a constituição de um corpo humano, o que existe é a estimulação e enriquecimento da saúde do cérebro e demais partes a partir de processos naturais.

O que os estudantes devem fazer é não ir, cega e ilusoriamente, atrás de ganhos facilitados e promessas artificiais. O que existe é a viabilização da potencialização cerebral através de atitudes adequadas em conformidade com o sistema biológico de cada um. E, para isso, é preciso planejamento quanto a cuidados e ações a serem incorporados na rotina para fornecer ao corpo, físico/mental/emocional, condições apropriadas e naturais para a sua utilização eficaz e, importante, saudável e benéfica.

Sendo assim, não é preciso muito esforço intelectual para saber da importância de cultivar hábitos saudáveis para gerar condições adequadas aos processos diários, seja no campo dos estudos ou em qualquer outro. É preciso, antes de tudo, um respeito à constituição biológica de cada um. O corpo é um sistema inteligente e há dias em que está com seu rendimento potencializado e há dias que não. Porém, há sempre uma atitude anteriormente adotada para gerar tal condição. É a lei da ação e reação, naturalmente.

Portanto, é importante avaliar as respostas do corpo e perceber o que foi feito antes para que uma condição específica tenha sido gerada. Se em determinado dia, o corpo está apresentando um maior cansaço e falta de atenção, é momento de lembrar o que foi feito para ocasionar isso: se foi uma noite mal dormida, se foi um estresse referente à preocupações, se foi uma má alimentação empregada, e por aí vai.

Cada um tem seu ritmo e o corpo não rende satisfatoriamente todos os dias. Além disso, os danos por exigir demais do corpo em algo que ele não está preparado são inúmeros e, muitos, até irreparáveis. Então, planejamento do tempo e cuidados com a saúde, como alimentação e exercícios físicos, são ótimos passos iniciais para começar a preparar o corpo para que ele gere os desempenhos desejados nos estudos e durante a realização dos concursos.

Sobre esses e outros cuidados, sugerimos a leitura dos seguintes artigos já elaborados para auxiliar os concurseiros no seu preparo e cuidado:

- Boa alimentação pode melhorar desempenho nos estudos

- A importância de cuidar da saúde para concurseiros

- Montando um plano de estudo para concursos

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