Nos últimos dias, a Receita Federal anunciou uma decisão polêmica e que gerou grande repercussão: a ampliação do processo de fiscalização de transferências emitidas através de cartões de crédito e PIX, duas das formas de pagamento mais utilizadas pelos brasileiros nos últimos anos.
A decisão, além de gerar dúvidas na população, também estabeleceu um grande debate sobre a sua real finalidade. O principal receio é sobre a atividade econômica de pequenos empreendedores ou de pessoas físicas com grande movimentação de valores nestas vias de transferência.
A partir deste aumento nas fiscalizações e cruzamento de dados, a Receita Federal e o Governo Federal poderão até mesmo ter maior clareza e exatidão na autorização para pagamentos do Bolsa Família e outros programas sociais. Entenda mais do caso.
Rastreio do PIX poderá afetar beneficiários do Bolsa Família?
O objetivo primário desta decisão por parte da Receita Federal é ter a possibilidade de realizar o cruzamento de dados, principalmente para a parte da população que tem a necessidade de fazer a declaração do Imposto de Renda.
A partir disso, a meta é ter mais dados sobre as movimentações financeiras da população para aumentar a eficiência das investigações de fraudes e sonegação fiscal. Entretanto, como serão levados em consideração os dados e movimentações financeiras de toda a população, beneficiários de programas sociais, obviamente, também serão incluídos.
Vale lembrar que a grande maioria dos benefícios sociais e de transferência de renda que estão em vigor no Brasil atualmente possuem entre os critérios de seleção, a faixa de renda das famílias.
Por isso, existe a possibilidade de que beneficiários do Bolsa Família e de outros programas possam ter a autorização negada. Ao mesmo tempo, 2025 é considerado um ano que marcará um aumento significativo no rigor das verificações por parte do Sibec (Sistema de Benefícios ao Cidadão).
Com a redução na verba de quase todos os programas, o número de famílias atendidas será menor nos próximos anos. No caso do Bolsa Família, por exemplo, está prevista uma redução de R$ 20 bilhões no orçamento do programa entre os anos de 2025 e 2030.
A partir desta nova medida, bancos e instituições financeiras terão de enviar, semestralmente, informações sobre transações de pessoas físicas e jurídicas com valores acima do teto estabelecido. Para pessoa física, deverão ser notificadas as movimentações a partir de R$ 5 mil mensais.
Regras do Bolsa Família para 2025
Embora a decisão de realizar o rastreio de determinadas movimentações financeiras e rendas possa afetar beneficiários do Bolsa Família, as regras oficiais do programa não foram modificadas para este ano. Os principais requisitos para entrar no programa ainda são:
- Ter inscrição ativa e atualizada no Cadastro Único;
- Ter renda per capita da família de até R$ 218
Ou seja, uma família que tenha 5 integrantes pode ter então uma renda mensal de apenas R$ 1.090,00. Caso a movimentação mensal ultrapasse os R$ 5 mil previstos na normativa, sanções podem sim ser adotadas pelo MDS.
Mesmo que a família cumpra com estes requisitos, não está garantido que a mesma receberá o Bolsa Família. A autorização para os pagamentos depende do orçamento do programa e da quantidade de pessoas atendidas. Em 2024, cerca de 20 milhões de famílias foram atendidas pelo benefício mensalmente.
A diferença é que agora o governo e a Receita Federal terão um raio de alcance maior para movimentações financeiras e cruzando dados do CaÚnico com as movimentações bancárias, podem sim alegar que algumas pessoas não precisem do benefício, bloqueando novos pagamentos.
Talis Andrey
Graduando de Jornalismo, redator de vários sites do Grupo M3 e Gremista. Jornalista registrado sob nº 20649/RS
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