Muitos microempreendedores individuais acreditam que estão destinados a receber apenas um salário mínimo ao se aposentar. De fato, quem contribui exclusivamente por meio do DAS costuma ter o benefício calculado com base no piso previdenciário. No entanto, existe uma alternativa prevista em lei que pode elevar o valor da futura aposentadoria.

A estratégia consiste em complementar a contribuição feita ao INSS, aumentando a base utilizada no cálculo do benefício. Apesar de estar disponível há anos, essa possibilidade ainda é desconhecida por grande parte dos MEIs.

Como funciona a contribuição do MEI?

O Microempreendedor Individual realiza mensalmente o pagamento do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS), que inclui tributos e a contribuição previdenciária.

Em 2026, essa contribuição corresponde a 5% do salário mínimo, garantindo acesso a benefícios como:

  • Aposentadoria por idade;
  • Auxílio por incapacidade temporária;
  • Salário-maternidade;
  • Pensão por morte;
  • Auxílio-reclusão.

O problema é que essa contribuição reduzida normalmente limita a aposentadoria ao valor do salário mínimo vigente na época da concessão.

Por que o benefício costuma ficar no piso?

Como o recolhimento do MEI é feito sobre uma alíquota reduzida, o valor utilizado pelo INSS para calcular a aposentadoria também é menor. Na prática, mesmo após anos de contribuição apenas pelo DAS, o benefício tende a permanecer próximo ao piso previdenciário. Por isso, quem deseja receber mais no futuro precisa considerar uma contribuição complementar.

Como aumentar a aposentadoria do MEI?

A legislação permite que o microempreendedor faça um recolhimento adicional ao INSS por meio da Guia da Previdência Social (GPS). Com isso, o segurado complementa os 5% pagos pelo DAS e passa a contribuir com uma alíquota equivalente a 20%, semelhante à utilizada por outras categorias de trabalhadores.

Passo a passo para complementar

  1. Continue pagando o DAS normalmente: a contribuição mensal do MEI continua obrigatória.
  2. Emita a GPS complementar: o pagamento adicional é feito por meio da Guia da Previdência Social, geralmente utilizando o código 1910.
  3. Escolha a base de contribuição: o segurado define o valor que servirá de referência para o cálculo previdenciário.
  4. Mantenha a regularidade dos pagamentos: quanto mais cedo e por mais tempo a complementação for realizada, maior tende a ser o impacto no benefício futuro.

Imagine um MEI que decide contribuir com base em dois salários mínimos. Considerando o salário mínimo de R$ 1.621 em 2026, a base de cálculo seria de R$ 3.242. Nesse caso, a contribuição complementar de 15% seria de aproximadamente R$ 486 por mês, valor pago além do DAS tradicional.

Comparação entre os modelos de contribuição

Modalidade Alíquota Resultado esperado
Apenas DAS 5% Benefício próximo ao salário mínimo
Plano simplificado 11% Geralmente próximo ao piso
DAS + complementação 20% Possibilidade de aposentadoria acima do mínimo

O valor final dependerá do histórico contributivo e das regras vigentes no momento da aposentadoria.

Contribuir mais apenas no final da carreira funciona?

Desde a Reforma da Previdência, o cálculo considera a média de todos os salários de contribuição registrados a partir de julho de 1994. Isso significa que aumentar os recolhimentos apenas nos últimos anos costuma ter impacto menor do que manter contribuições mais altas durante um longo período.

Por esse motivo, especialistas recomendam iniciar o planejamento previdenciário o quanto antes.

Vale a pena complementar?

A decisão depende da realidade financeira e dos objetivos de cada empreendedor. A estratégia pode ser interessante para quem:

  • Deseja uma aposentadoria acima do salário mínimo;
  • Possui capacidade financeira para contribuir mais;
  • Busca proteção previdenciária de longo prazo;
  • Quer aumentar a renda na aposentadoria.

Antes de decidir, é importante comparar essa alternativa com outros investimentos e formas de planejamento financeiro.

Como saber quanto posso receber?

O próprio INSS oferece ferramentas para simular a aposentadoria. Pelo aplicativo ou portal Meu INSS, é possível consultar:

  • Tempo de contribuição;
  • Histórico previdenciário;
  • Simulação do benefício;
  • Regras aplicáveis ao segurado.

Essas informações ajudam o microempreendedor a entender o impacto das contribuições e a planejar melhor o futuro.