O governo federal oficializou na última terça-feira (12) o fim da cobrança do Imposto de Importação para compras internacionais de até US$ 50, medida que ficou conhecida popularmente como o fim da "taxa das blusinhas". A decisão foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva por meio da Portaria Nº 1.342 e entrou em vigor imediatamente após publicação em edição extraordinária do Diário Oficial da União.
Com a mudança, encomendas internacionais de pequeno valor realizadas em plataformas estrangeiras voltam a ter alíquota zero de imposto federal de importação. A cobrança estadual de ICMS, no entanto, permanece mantida.
A medida representa uma mudança importante nas regras do comércio eletrônico internacional e promete impactar milhões de consumidores brasileiros que realizam compras em sites como Shein, Shopee, AliExpress, Amazon e outras plataformas de importação.
Segundo integrantes da equipe econômica, a decisão foi possível após um processo de fortalecimento da fiscalização aduaneira e maior regularização do setor de comércio internacional nos últimos anos.
O que muda com a nova regra
Com a publicação da nova portaria do Ministério da Fazenda, compras internacionais de até US$ 50 passam a ter alíquota zero de Imposto de Importação.
O texto publicado pelo governo estabelece:
- Compras entre US$ 0 e US$ 50: imposto zerado;
- Compras entre US$ 50,01 e US$ 3 mil: cobrança de 60% de imposto, com dedução de US$ 30.
Na prática, isso significa que consumidores que realizarem compras internacionais dentro do limite de US$ 50 deixarão de pagar os 20% federais que vinham sendo cobrados desde 2024.
A nova regra, porém, não prevê devolução de valores pagos anteriormente. Ou seja, consumidores que já recolheram o imposto nos últimos meses não terão direito a ressarcimento.
"Taxa das blusinhas" havia sido criada em 2024
A cobrança extinta agora havia sido criada em agosto de 2024 dentro do programa Remessa Conforme, iniciativa do governo federal para regulamentar compras internacionais realizadas pela internet.
Na época, o objetivo principal era aumentar a fiscalização sobre importações de pequeno valor, combater fraudes fiscais e reduzir a entrada irregular de produtos no país.
O imposto passou a ser cobrado diretamente no momento da compra, o que acabou elevando o custo final para consumidores brasileiros.
Desde então, a medida ficou conhecida popularmente como "taxa das blusinhas", principalmente porque muitos consumidores utilizavam plataformas internacionais para comprar roupas, acessórios e pequenos eletrônicos.
No entanto, integrantes do governo afirmam que os produtos importados vão muito além do setor de vestuário.
Governo diz que medida beneficia população de baixa renda
Durante a cerimônia de assinatura da MP, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou que a regularização do setor permitiu ao governo reduzir novamente a tributação.
Segundo ele, o combate ao contrabando e a formalização das plataformas internacionais criaram condições para zerar o imposto.
"O contrabando, que era uma marca presente nesse setor, foi eliminado. Agora, o setor regularizado vai poder usufruir desta isenção", declarou.
A equipe econômica também argumenta que a medida beneficia principalmente consumidores de baixa renda, que utilizam plataformas estrangeiras para adquirir produtos mais baratos.
A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, destacou que as compras internacionais de pequeno valor não se resumem apenas a roupas.
"Não é só roupa. Há um conjunto de outros bens que são comprados, todos de valor pequeno", afirmou.
Já o Ministério do Planejamento avaliou que a mudança melhora o perfil da tributação brasileira ao reduzir o peso de impostos sobre consumo popular.
Indústria e varejo criticam decisão
Apesar da comemoração entre consumidores e plataformas internacionais, entidades da indústria brasileira reagiram com preocupação ao anúncio.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que a medida amplia a vantagem competitiva de fabricantes estrangeiros em relação às empresas nacionais.
Segundo a entidade, o impacto poderá ser maior sobre pequenos fabricantes e microempresas brasileiras, especialmente nos setores têxtil, eletrônico e de varejo popular.
O Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) também criticou a decisão e alertou para possíveis efeitos negativos sobre empregos e produção nacional.
De acordo com a entidade, o fim da tributação pode reduzir vendas do varejo brasileiro e provocar fechamento de fábricas ou transferência de produção para outros países.
A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) classificou a decisão como "extremamente equivocada" e afirmou que empresas brasileiras continuarão enfrentando uma carga tributária muito superior à das plataformas estrangeiras.
Segundo dados da Receita Federal citados pelas entidades, a cobrança havia arrecadado R$ 1,78 bilhão entre janeiro e abril de 2026.
Plataformas internacionais comemoram
Enquanto a indústria nacional criticou a medida, empresas ligadas ao comércio eletrônico internacional apoiaram o fim da tributação.
A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que reúne empresas como Amazon, Alibaba, Shein e 99, afirmou que a cobrança era "extremamente regressiva".
Segundo a entidade, o imposto reduzia o poder de compra das famílias brasileiras, principalmente das classes C, D e E.
As plataformas também argumentam que o fim da taxa pode ampliar o acesso da população a produtos mais baratos e aumentar a concorrência no setor de varejo.
ICMS continua sendo cobrado
Mesmo com o fim do Imposto de Importação federal, as compras internacionais continuam sujeitas à cobrança de ICMS, tributo estadual que atualmente possui alíquota de 20% em boa parte dos estados brasileiros. Isso significa que as encomendas não ficarão totalmente livres de impostos.
Na prática, consumidores ainda deverão observar o valor final das compras, já que o ICMS continuará incidindo sobre os produtos importados.
Quando a medida começa a valer
Apesar do anúncio feito pelo governo federal na terça-feira (12), a isenção do Imposto de Importação para compras internacionais de até US$ 50 só começa a valer oficialmente após a publicação da Medida Provisória e da portaria no Diário Oficial da União.
Segundo o Ministério da Fazenda, a mudança entra em vigor imediatamente após a publicação oficial, mas valerá apenas para compras realizadas a partir da nova regra. Ou seja, encomendas antigas ou pedidos já tributados não terão devolução dos valores pagos anteriormente.
O texto da portaria deixa claro que:
- a nova alíquota zero será aplicada apenas aos "fatos geradores ocorridos a partir da entrada em vigor";
- não haverá restituição, compensação ou reembolso para quem já pagou a antiga taxa de 20%.
Mesmo com o fim do imposto federal, continuará sendo cobrada a alíquota do ICMS estadual, que atualmente gira em torno de 20% em grande parte dos estados. Além disso, compras acima de US$ 50 seguem sujeitas à tributação de 60%.
Consumidores comemoram nas redes sociais
O anúncio rapidamente virou um dos assuntos mais comentados das redes sociais. Enquanto muitos consumidores comemoraram a retirada da chamada "taxa das blusinhas", outros usuários apontaram que o custo final das compras internacionais ainda continuará elevado por causa do ICMS e de outras cobranças do sistema Remessa Conforme.
Entre os comentários publicados por usuários, muitos questionaram se os estados também irão reduzir impostos sobre importações de pequeno valor.
Um internauta escreveu:
A pergunta que lanço é: "os governos estaduais vão aliviar com as taxas também? Sim ou não?"
— JustOneMore (@leduardovalente) May 13, 2026
Outra usuária comentou:
Oh gente e vocês achando que vai mudar algo ? O icms que é o maior imposto ainda vai continuar
— sayumi (@sonnyumi) May 13, 2026
Também houve reclamações de consumidores que afirmam que as plataformas ainda exibiam cobranças mesmo após o anúncio da medida.
Acabei de tentar, e ainda aparece a taxa
— cadelinhadoreinerbraun (@Luanagaymaraes) May 13, 2026
Muitos comentários também relembraram que, antes da criação da tributação em 2024, compras de pequeno valor tinham menor fiscalização e frequentemente chegavam ao país sem cobrança de impostos.
Outro tema bastante citado nas redes foi o impacto direto nas plataformas internacionais como Shein, Shopee, AliExpress e Amazon internacional. Consumidores afirmaram que pretendem voltar a comprar em sites estrangeiros após a redução do imposto federal.
Voltando a instalar o app (não compro na shein a mt tempo por causa dessas taxa)
— vin (@Mvinchil) May 13, 2026
Na prática, o consumidor continuará vendo cobrança tributária na finalização da compra, porém menor do que no modelo anterior que acumulava imposto federal e estadual simultaneamente.
Kethleen Kinast
Porto-alegrense com experiência em Social Media e redação de textos informativos. Tecnologia e informação sempre andam juntos no meu dia a dia.
Não quer perder nenhum concurso? Veja a lista de todos clicando em nossos links abaixo:


