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Mais uma vez o assunto privatização do Banco do Brasil foi retomado. Numa comissão mista promovida pelo Senado Federal nesta segunda-feira (8), onde o presidente do banco, Rubem Novaes, foi convidado a participar para informar sobre as ações que o BB vem tomando para reduzir os danos causados pela pandemia do coronavírus a população, Novaes reforçou a necessidade de privatizar o banco. Novaes foi categórico ao afirmar que o banco precisa partir para a iniciativa privada para competir de igual pra igual com as demais instituições do ramo financeiro, cada vez mais digitais.

Em um trecho, Novaes disse que a instituição tem dificuldades de se adaptar aos desafios tecnológicos e de gestão diante das mudanças que o Banco Central vem fazendo. E completou "O mundo bancário vai mudar radicalmente. As empresas bancárias serão cada vez mais empresas de tecnologia. Nós não temos velocidade nas mudanças que o mercado exige, devido às amarras do setor público".

Privatização do BB depende de aprovação no Congresso

Num dos trechos da entrevista, Novaes disse que mesmo com enorme eficiência, o Banco do Brasil compete com outros bancos com "bolas de chumbo amarradas a seus pés", pelos mecanismos de controle exigidos por TCU, CGU e governo. Mesmo com a intenção de passar o banco para a iniciativa privada, uma venda desse porte necessitaria da maioria do apoio no Congresso Nacional, algo que pode levar meses ou até anos de discussão até a sua aprovação.

Novaes completou dizendo que o papel de banco público já é exercido pela Caixa Econômica Federal, mas mesmo assim de março até maio foram liberados quase R$ 137 bilhões aos brasileiros, sendo R$ 80 bilhões destinados a empresas, R$ 33,8 bilhões para pessoas físicas e outros R$ 23 bilhões para auxiliar o agronegócio.

Veja o trecho onde o presidente fala sobre uma possível privatização:

Concurso BB 2020

No início do ano, o mesmo Rubem Novaes havia confirmado um novo concurso para o Banco do Brasil, mas lamentou o fato da única porta de entrada de funcionários no banco ser o cargo de Escriturário. "Nós estamos pensando na possibilidade de um concurso mais direcionado para essa área de tecnologia e inovações. Hoje a porta de entrada do BB é somente o cargo de escriturário", disse.

O BB está sem concurso vigente para reforço de pessoal há vários anos em algumas regiões do país. Como os concursos são regionalizados, estados como Amazonas, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina já estão há 6 anos sem concurso vigente.

O último concurso promovido pelo Banco do Brasil ocorreu em 2018 (veja o edital) e teve mais de 127 mil inscritos. A seleção abriu somente 30 vagas imediatas e formação de cadastro reserva na carreira de Escriturário para lotação apenas nas cidades de Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP). A Fundação Cesgranrio foi quem coordenou a seleção e aplicou uma prova direcionada com conteúdos cobrando conhecimentos em tecnologia num nível avançado.

Escriturário

O cargo exige apenas nível médio completo e no último edital divulgado (2018) o cargo tinha salário de R$ 2.718,73 por regime de trabalho de 30 horas semanais, mais benefícios de auxílio alimentação/ refeição de R$ 1.314,00, possibilidade de ascensão e desenvolvimento profissional, participação nos lucros ou resultados, vale transporte, auxílio-creche; auxílio a filho com deficiência e previdência privada. Um Escriturário recebe atualmente, contando os benefícios por volta de R$ 5 mil. A PLR varia conforme o resultado do banco, mas fica por volta de R$ 10 mil no ano - é paga duas vezes, uma a cada 6 meses.

O Escriturário atua hoje na comercialização de produtos e serviços do banco, atendimento ao público, atuação no caixa, contatos com clientes, prestação de informações, redação de correspondências, conferência de relatórios e documentos, controles estatísticos, atualização de dados em sistemas e execução de outras tarefas compatíveis com as peculiaridades do Banco.

O BB já chegou a ter 110 mil funcionários. Hoje, o quadro de pessoal possui apenas 93 mil. Recentemente o Ministério da Economia divulgou uma portaria fixando o número de funcionários que o Banco poderá ter: 105 mil. Isso demonstra que um novo concurso poderia sair do papel, caso a governança tivesse mesmo o interesse.

Com informações da Agência Senado