Com a chegada da primavera e o aumento nas temperaturas em diversas regiões do país, o debate sobre a possível volta do horário de verão volta à tona. Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), a retomada da medida não está descartada e segue sendo "permanentemente avaliada".
Suspenso desde 2019, nos últimos dias, as buscas pelo termo "horário de verão 2025" cresceram mais de 400% no Google, um reflexo da expectativa de parte da população sobre a possível volta da medida.
Quais são as chances do horário de verão voltar em 2025?
A suspensão do horário de verão ocorreu em 2019, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na época, o MME apresentou estudos que indicavam que a economia de energia já não era tão significativa quanto no passado, principalmente em função da mudança nos hábitos de consumo da população.
Uma vez que aconteceu a popularização de aparelhos de ar-condicionado e o aumento do uso de energia durante as tardes quentes, a demanda deixou de se concentrar no período noturno. Além disso, os estudos apontavam que o horário de verão poderia até prejudicar o desempenho de algumas atividades econômicas, além de ter efeitos negativos sobre a saúde da população.
No entanto, embora o governo ainda não tenha tomado uma decisão definitiva, as chances da volta do horário de verão em 2025 são reais. A avaliação técnica está em andamento e será concluída nas próximas semanas, segundo fontes do MME, mas a decisão final caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O que pesa a favor da retomada, segundo especialistas, é a atual situação do setor elétrico. Apesar de um inverno mais seco do que o habitual, os níveis dos reservatórios das hidrelétricas estão dentro da normalidade, garantindo o abastecimento até pelo menos fevereiro de 2026.
Ainda assim, o governo considera que o horário de verão poderia ser uma medida preventiva para evitar sobrecargas e a necessidade de acionar termelétricas — fontes de energia mais caras e poluentes.
Potencial de economia energética
De acordo com o Plano de Operação Energética de 2025, publicado no mês passado, a adoção do horário de verão poderia gerar uma folga de até 2 gigawatts de potência ao Sistema Interligado Nacional (SIN), o que representa uma redução importante da pressão sobre o sistema em horários de maior consumo.
Segundo o professor Helder Queiroz, do Instituto de Economia da UFRJ, essa "folga" pode resultar em uma economia real ao reduzir a necessidade de acionamento das usinas termelétricas:
"O custo da geração no horário de pico acaba tendo que chamar as usinas cujo custo de geração é, portanto, mais elevado. Então, ao suavizar isso, você pode ter uma diminuição desse aumento de custo na estrutura geral de operação do sistema.
Essa é a vantagem, que acredito eu, tanto do ponto de vista operacional quanto econômico, que está sendo buscada nesse momento para garantir um pouco mais flexibilidade operacional.", explica Queiroz.
Mas, mesmo com os possíveis benefícios, especialistas defendem que a volta do horário de verão não deve ser a única estratégia para enfrentar os desafios energéticos dos próximos meses. O ideal, segundo Helder Queiroz, seria investir em um plano B de contingência, contratando usinas geradoras para que fiquem de prontidão em casos de alta demanda ou problemas na distribuição:
"Os leilões são para garantir uma capacidade adicional que permite ter uma potência maior de estar lá no sistema. Então você vai ter ofertas específicas para esse período que envolve o horário do pico nos últimos anos, porque rapidamente, a partir das 18 horas, por exemplo, tem que entrar um número muito grande de novos geradores.", avalia o professor.
Essa visão é compartilhada por técnicos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que alertam que a demanda por energia deve crescer nos próximos anos, impulsionada pela expansão econômica, industrialização e mudanças climáticas, que tornam os verões mais longos e mais quentes.
O que falta para a decisão?
Apesar da movimentação nos bastidores, ainda não há data definida para o anúncio oficial. Fontes do governo indicam que a decisão pode sair até o final de setembro. Ainda assim, se for aprovada, a medida deve vigorar a partir do segundo domingo de outubro, padrão histórico de início do horário de verão no Brasil.
O Ministério de Minas e Energia segue monitorando diariamente a situação dos reservatórios, o volume de chuvas e a projeção de consumo. A pasta também mantém diálogo com o ONS, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Ministério do Meio Ambiente.
Enquanto isso, na população, levantamento recente feito pelo instituto Data Poder360 aponta que 58% dos brasileiros apoiam o retorno do horário de verão, enquanto 34% são contra e 8% estão indecisos.
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