A negociação da Campanha Nacional dos Bancários 2026 chegou a uma proposta de renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) após uma rodada marcada por impasses e mais de 30 horas de discussões. A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) apresentou, no sábado (29), uma nova proposta com reposição da inflação e ganho real de 0,6% para a categoria.

O acordo prevê a aplicação da fórmula INPC mais 0,6% de aumento real em 2026 e novamente em 2027. O índice final deste ano ainda depende da divulgação do INPC acumulado até a data-base dos bancários, em 1º de setembro. A proposta alcança salários e as principais verbas econômicas da categoria.

Na prática, os trabalhadores terão a inflação integralmente reposta e, além disso, receberão um acréscimo real de 0,6%. O mesmo mecanismo está previsto para 2027.

O percentual será aplicado aos salários e ainda nos benefícios de vale-alimentação (VA), vale-refeição (VR), auxílio-creche/babá e Participação nos Lucros e Resultados (PLR). A regra contempla tanto a parcela básica quanto a parcela adicional da PLR.

Ainda não é possível informar o percentual total do reajuste de 2026 porque o INPC referente à data-base será divulgado na data prevista de 11 de setembro. O acumulado de agosto do ano passado a julho deste ano é de 4,10%. Assim, o reajuste deve girar entre 4,5% e 5%.

Proposta ainda será votada pelos bancários

Apesar de a Fenaban ter apresentado a proposta, o acordo ainda precisa ser aprovado pela categoria. As assembleias estão previstas para ocorrer entre às 19h de 3 de setembro e as 19h de 4 de setembro, período em que os bancários deverão deliberar sobre os termos negociados.

Foram realizadas 13 rodadas de negociação durante a campanha. A reunião que resultou na proposta final começou na sexta-feira (28) e avançou pela madrugada, terminando no sábado (29), após mais de 30 horas de discussões.

Além do reajuste salarial, a proposta prevê a manutenção dos direitos já previstos na Convenção Coletiva de Trabalho e acrescenta novas regras para diferentes áreas das relações de trabalho.

A proposta estabelece ainda que o bancário não deverá ser obrigado a responder mensagens ou atender demandas profissionais fora de sua jornada de trabalho.

Também foram estabelecidas regras para o monitoramento digital, com maior transparência sobre o uso de ferramentas tecnológicas pelas instituições financeiras. Entre as medidas negociadas está a proteção contra o uso de imagens e áudios para fiscalização da jornada.

Outro avanço envolve empregados desligados em razão do fechamento de agências bancárias. A negociação prevê medidas de requalificação e recolocação profissional, além de uma indenização adicional em determinadas situações.

O programa de recolocação deverá oferecer diagnóstico profissional, orientação individual, cursos e inclusão dos trabalhadores em banco de talentos. A proposta também prevê a contratação de consultoria especializada para auxiliar nesse processo.