Em meio a um dos maiores gargalos da história recente da Previdência Social, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) confirmou que suas agências ficarão fechadas por três dias na próxima semana.
A interrupção do atendimento presencial acontece justamente em um momento de forte pressão sobre o sistema, com quase 3 milhões de benefícios aguardando análise em todo o país.
Segundo o órgão, a suspensão ocorre por causa de uma atualização ampla nos sistemas previdenciários, conduzida pela Dataprev, empresa responsável pela tecnologia da informação da Previdência. A promessa é de que a modernização traga mais estabilidade, segurança e agilidade no atendimento aos segurados, embora, no curto prazo, a medida provoque impacto direto na rotina de quem depende dos serviços presenciais.
Agências fechadas final de Janeiro
O INSS informou que as Agências da Previdência Social não funcionarão nos dias 28, 29 e 30 de janeiro. Durante esse período, não haverá atendimento presencial em nenhuma unidade do país.
Além disso, os serviços digitais também serão afetados. O portal e o aplicativo Meu INSS, assim como a Central Telefônica 135, ficarão indisponíveis a partir das 19h do dia 27 de janeiro, com previsão de retorno apenas no dia 31. Isso significa que, por cerca de quatro dias, segurados não poderão realizar agendamentos, consultar processos, solicitar benefícios ou acompanhar pedidos por nenhum dos canais oficiais.
De acordo com o instituto, a paralisação é necessária para viabilizar melhorias estruturais nos sistemas, o que deve reduzir falhas, quedas de acesso e atrasos em análises no médio prazo.
Atendimento extra para compensar paralisação
Para reduzir os impactos aos cidadãos, o INSS anunciou a abertura excepcional de agências nos finais de semana dos dias 17 e 18 e 24 e 25 de janeiro. Nessas datas, haverá atendimento presencial para antecipar agendamentos já marcados e tentar minimizar o efeito da suspensão temporária.
Caso o segurado prefira manter o atendimento em dia útil, o instituto informou que será garantido o reencaixe em nova data, sem prejuízo ao andamento do pedido.
A recomendação é que quem já tenha agendamento para os dias de fechamento fique atento às comunicações do INSS, que devem informar automaticamente sobre a remarcação ou antecipação do serviço.
Fila do INSS se aproxima de 3 milhões
A paralisação ocorre em um cenário considerado crítico pela própria Previdência. Dados oficiais mais recentes apontam que o estoque de requerimentos pendentes chegou a 2,96 milhões, envolvendo principalmente aposentadorias, auxílios por incapacidade e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), destinado a idosos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade.
Desse total, mais de 2,6 milhões aguardam análise ou perícia médica inicial, enquanto cerca de 363 mil pedidos estão parados por pendências documentais, à espera de complementação por parte dos segurados.
O tempo médio de espera também preocupa. Aproximadamente 1,3 milhão de pessoas aguardam resposta há até 45 dias, mas outros 1,66 milhão já ultrapassaram esse prazo, permanecendo na fila por períodos mais longos.
Diante do cenário de congestionamento, o governo federal publicou recentemente uma portaria com regras temporárias para acelerar a análise dos processos. As medidas reforçam o Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB) e o Pagamento Extraordinário do Programa de Gerenciamento de Benefícios (PEPGB), que permitem remuneração adicional a servidores que atuem na análise fora do fluxo normal.
Entre as mudanças, está a ampliação do reconhecimento inicial de direito para alguns benefícios, como aposentadoria urbana por idade, benefícios por incapacidade e reavaliações do BPC. A proposta é permitir que processos avancem mais rapidamente em determinadas situações, mesmo antes da conclusão de todas as etapas tradicionais.
Gestão das filas passa a ser centralizada
Outra alteração importante diz respeito à administração das filas. A Diretoria de Tecnologia da Informação (DTI) do INSS passa a ser responsável pela gestão centralizada dos requerimentos, enquanto as Superintendências Regionais ficam responsáveis apenas pelo acervo individual de processos.
Com isso, o governo pretende reduzir distorções regionais, padronizar critérios de análise e ter uma visão mais clara do estoque nacional, facilitando a definição de prioridades.
Também foram estabelecidos limites diários de tarefas para servidores nas filas extraordinárias, como forma de evitar sobrecarga e manter maior controle sobre o fluxo de trabalho.
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