O ano de 2026 começa com mudanças importantes para aposentados, pensionistas e demais beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Com a divulgação oficial do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 2025, o governo federal confirmou que o teto dos benefícios previdenciários será reajustado para R$ 8.474,55, refletindo exclusivamente a inflação acumulada no período.
O novo valor passou a valer a partir de 1º de janeiro e impacta tanto quem já recebe o benefício máximo quanto trabalhadores que contribuem pelo teto da Previdência Social.
Apesar do reajuste, a política adotada pelo governo mantém um ponto que tem gerado críticas recorrentes, onde aposentados e pensionistas que recebem acima de um salário mínimo continuarão sem ganho real.
Assim como ocorreu nos últimos anos, a correção aplicada a esse grupo se limita à variação do INPC, enquanto o salário mínimo segue uma fórmula que garante aumento acima da inflação e que vai subir 6,79% esse ano.
Reajuste é pelo INPC e não IPCA
O INPC de 2025 fechou em 3,9%, segundo dados divulgados oficialmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse percentual é o mesmo índice utilizado para corrigir os benefícios previdenciários acima do piso nacional. Com isso, o teto do INSS passa dos atuais R$ 8.157,41 para R$ 8.474,55 em 2026.
O índice ficou bem abaixo do reajuste aplicado ao salário mínimo, que subiu 6,79%, alcançando o valor de R$ 1.621,00. Na prática, isso aprofunda a diferença entre quem recebe o piso previdenciário e aqueles que ganham valores superiores, já que apenas o primeiro grupo conta com aumento real.
O que talvez muitos não saibam é que o reajuste das aposentadorias é atrelado ao INPC e não ao IPCA, índice mais conhecido da inflação do país.
O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) engloba uma parcela maior da população. Ele aponta a variação do custo de vida médio de famílias com renda mensal de 1 e 40 salários mínimos. Já o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) verifica a variação do custo de vida médio apenas de famílias com renda mensal de 1 a 5 salários mínimos.
Maioria dos benefícios está concentrada no piso
Atualmente, cerca de 22 milhões de aposentados e pensionistas recebem exatamente um salário mínimo, o que representa aproximadamente 62% dos 35 milhões de benefícios pagos pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS), sem considerar o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
O impacto fiscal do reajuste do salário mínimo é significativo. De acordo com estimativas oficiais, cada real de aumento no piso previdenciário gera um custo anual de R$ 298,1 milhões, totalizando cerca de R$ 30 bilhões em 2026.
Calendário de pagamentos do INSS em 2026
Os primeiros pagamentos com valores reajustados começam no dia 26 de janeiro de 2026 e seguem até 6 de fevereiro, conforme o número final do cartão de benefício, sem considerar o dígito verificador após o traço.
Para quem recebe até um salário mínimo, os depósitos ocorrem sempre entre o final de um mês e o início do mês seguinte. Já os beneficiários que ganham acima do piso recebem nos primeiros dias úteis de cada mês, com dois grupos de pagamento por dia.
Veja o calendário completo:
Para quem recebe até um salário mínimo:
| Final | jan./26 | fev./26 | mar./26 | abr./26 | mai./26 | jun./26 | jul./26 | ago./26 | set./26 | out./26 | nov./26 | dez./26 |
| 1 | 26/jan | 23/fev. | 25/mar. | 24/abr. | 25/mai. | 24/jun. | 27/jul. | 25/ago. | 24/set. | 26/out. | 24/nov. | 22/dez. |
| 2 | 27/jan | 24/fev. | 26/mar. | 27/abr. | 26/mai. | 25/jun. | 28/jul. | 26/ago. | 25/set. | 27/out. | 25/nov. | 23/dez. |
| 3 | 28/jan. | 25/fev. | 27/mar. | 28/abr. | 27/mai. | 26/jun. | 29/jul. | 27/ago. | 28/set. | 28/out. | 26/nov. | 28/dez. |
| 4 | 29/jan. | 26/fev. | 30/mar. | 29/abr. | 28/mai. | 29/jun. | 30/jul. | 28/ago. | 29/set. | 29/out. | 27/nov. | 29/dez. |
| 5 | 30/jan. | 27/fev. | 31/mar. | 30/abr. | 29/mai. | 30/jun. | 31/jul. | 31/ago. | 30/set. | 30/out. | 30/nov. | 30/dez. |
| 6 | 02/fev. | 02/mar. | 01/abr. | 04/mai. | 01/jun. | 01/jul. | 03/ago. | 01/set. | 01/out. | 03/nov. | 01/dez. | 04/jan. |
| 7 | 03/fev. | 03/mar. | 02/abr. | 05/mai. | 02/jun. | 02/jul. | 04/ago. | 02/set. | 02/out. | 04/nov. | 02/dez. | 05/jan. |
| 8 | 04/fev. | 04/mar. | 06/abr. | 06/mai. | 03/jun. | 03/jul. | 05/ago. | 03/set. | 05/out. | 05/nov. | 03/dez. | 06/jan. |
| 9 | 05/fev. | 05/mar. | 07/abr. | 07/mai. | 05/jun. | 06/jul. | 06/ago. | 04/set. | 06/out. | 06/nov. | 04/dez. | 07/jan. |
| 0 | 06/fev. | 06/mar. | 08/abr. | 08/mai. | 08/jun. | 07/jul. | 07/ago. | 08/set. | 07/out. | 09/nov. | 07/dez. | 08/jan. |
Para quem recebe acima do piso nacional:
| Final | jan./26 | fev./26 | mar./26 | abr./26 | mai./26 | jun./26 | jul./26 | ago./26 | set./26 | out./26 | nov./26 | dez./26 |
| 1 e 6 | 02/fev. | 02/mar. | 01/abr. | 04/mai. | 01/jun. | 01/jul. | 03/ago. | 01/set. | 01/out. | 03/nov. | 01/dez. | 04/jan. |
| 2 e 7 | 03/fev. | 03/mar. | 02/abr. | 05/mai. | 02/jun. | 02/jul. | 04/ago. | 02/set. | 02/out. | 04/nov. | 02/dez. | 05/jan. |
| 3 e 8 | 04/fev. | 04/mar. | 06/abr. | 06/mai. | 03/jun. | 03/jul. | 05/ago. | 03/set. | 05/out. | 05/nov. | 03/dez. | 06/jan. |
| 4 e 9 | 05/fev. | 05/mar. | 07/abr. | 07/mai. | 05/jun. | 06/jul. | 06/ago. | 04/set. | 06/out. | 06/nov. | 04/dez. | 07/jan. |
| 5 e 0 | 06/fev. | 06/mar. | 08/abr. | 08/mai. | 08/jun. | 07/jul. | 07/ago. | 08/set. | 07/out. | 09/nov. | 07/dez. | 08/jan. |
Quem recebe primeiro o valor corrigido
Os primeiros a receber o novo valor de R$ 1.621 são os segurados que ganham até um salário mínimo. Nesse grupo estão aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC. Para eles, os depósitos começam em 26 de janeiro.
Já quem recebe acima do mínimo passa a ter o benefício reajustado a partir do início de fevereiro, obedecendo ao calendário específico dessa faixa.
Como consultar a data e o valor do benefício
Para saber a data exata de pagamento, o segurado deve observar o último número do cartão do benefício antes do traço. Esse algarismo define o dia em que o valor será creditado. O dígito verificador após o hífen não é considerado.
As consultas podem ser feitas pelo site ou aplicativo Meu INSS, onde é possível acessar o extrato de pagamento, conferir valores atualizados e verificar o histórico do benefício.
Tabela de descontos do INSS em 2026
As faixas de contribuição dos trabalhadores da iniciativa privada também serão corrigidas pelo INPC de 3,9%. Para empregados CLT, domésticos e trabalhadores avulsos do RGPS, a tabela estimada de descontos será:
- Até R$ 1.621,00: alíquota de 7,5%
- De R$ 1.621,01 a R$ 2.902,84: alíquota de 9%
- De R$ 2.902,85 a R$ 4.354,27: alíquota de 12%
- De R$ 4.354,28 a R$ 8.474,55: alíquota de 14%
As faixas são atualizadas anualmente, conforme as regras estabelecidas pela reforma da Previdência de 2019.
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