O desemprego caiu no Brasil e chegou a 5,2% no terceiro trimestre de 2026, o menor resultado para o período desde o início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2012.

Apesar da melhora nos indicadores do mercado de trabalho, os concursos públicos continuam sendo uma alternativa para quem busca uma oportunidade profissional com possibilidade de estabilidade e remuneração definida.

Os dados foram divulgados pelo IBGE na sexta-feira, 30 de outubro, por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. Além da redução da desocupação, o levantamento apontou recorde no número de pessoas ocupadas e crescimento dos rendimentos dos trabalhadores.

Ao mesmo tempo, o país ainda registra milhões de pessoas sem emprego e um percentual expressivo de trabalhadores na informalidade. Nesse cenário, os concursos públicos seguem atraindo candidatos interessados em ingressar no serviço público e construir uma carreira profissional.

Na primeira semana de novembro, por exemplo, ao menos 23 órgãos e instituições começam a receber inscrições para seleções em diferentes regiões do país. Há oportunidades para níveis fundamental, médio, técnico e superior, com remunerações que chegam a R$ 25,2 mil.

Desemprego cai para 5,2%

Segundo o IBGE, a taxa de desocupação brasileira ficou em 5,2% no terceiro trimestre de 2026. O resultado representa uma redução em relação aos 5,4% registrados no segundo trimestre e aos 5,6% observados no mesmo período de 2025.

Em números absolutos, o país tinha 5,6 milhões de pessoas desocupadas entre julho e setembro. O contingente representa uma queda de 4% em relação ao trimestre anterior, quando havia aproximadamente 5,9 milhões de pessoas sem trabalho.

Outro destaque da pesquisa foi o número de brasileiros ocupados, que chegou a 103,6 milhões. Esse é o maior contingente registrado desde o início da série histórica da Pnad Contínua.

O nível de ocupação, indicador que representa a parcela da população em idade de trabalhar que está efetivamente empregada, também alcançou um recorde: 59%. Confira os principais indicadores:

Indicador Resultado no 3º trimestre de 2026
Taxa de desemprego 5,2%
Pessoas desocupadas 5,6 milhões
Pessoas ocupadas 103,6 milhões
Nível de ocupação 59%
Taxa de informalidade 37,5%
Trabalhadores informais 38,8 milhões
Rendimento médio real habitual R$ 3.790

Os números mostram uma melhora no mercado de trabalho, mas também revelam desafios. A taxa de informalidade, por exemplo, ficou em 37,5% da população ocupada, o equivalente a 38,8 milhões de trabalhadores. O indicador estava em 37,4% no trimestre anterior e em 37,8% no terceiro trimestre de 2025.

O rendimento real médio de todos os trabalhos chegou a R$ 3.790. O valor permaneceu estável em relação ao trimestre anterior, mas apresentou crescimento de 3,6% na comparação anual.

Os dados indicam que, embora mais brasileiros estejam trabalhando, uma parcela significativa da população ainda está inserida em atividades informais, sem acesso a algumas das garantias e proteções associadas ao emprego formal.

Por que concursos seguem como alternativa

Mesmo com a redução do desemprego e o crescimento da população ocupada, os concursos públicos continuam entre as possibilidades consideradas por quem procura uma carreira profissional de longo prazo.

Um dos principais atrativos é a estabilidade. Nos cargos públicos efetivos submetidos ao regime estatutário, a Constituição Federal prevê a aquisição da estabilidade após três anos de efetivo exercício, desde que o servidor seja aprovado na avaliação especial de desempenho.

Isso significa que, depois de cumpridos os requisitos legais, o servidor estável passa a contar com proteção contra a perda arbitrária do cargo. A demissão, nesse caso, depende das hipóteses e dos procedimentos previstos na Constituição e na legislação.

Também existem outros fatores que atraem candidatos:

  • Remuneração: os salários são estabelecidos em lei ou nos instrumentos aplicáveis a cada carreira, com possibilidade de progressão e adicionais previstos nas normas;
  • Previsibilidade: o servidor conhece previamente a remuneração, a jornada e as atribuições do cargo;
  • Plano de carreira: determinadas carreiras oferecem progressões funcionais e possibilidades de desenvolvimento profissional;
  • Benefícios: dependendo do órgão e do cargo, podem existir auxílios, gratificações e outras vantagens;
  • Estabilidade profissional: nos cargos efetivos abrangidos pelo artigo 41 da Constituição, há possibilidade de adquirir estabilidade após o estágio probatório.

É importante lembrar que nem toda contratação no setor público garante estabilidade. Cargos comissionados, contratos temporários e empregos públicos regidos pela CLT possuem regras diferentes.

Além disso, conquistar uma vaga exige preparação. Os candidatos precisam cumprir os requisitos do edital e passar pelas etapas de seleção, que podem incluir provas objetivas, discursivas, avaliação de títulos, testes físicos e outras fases, conforme o cargo.

Procura aumentou nos últimos anos; veja quem são os concurseiros

O interesse pelas carreiras públicas também aparece nos dados sobre o perfil dos candidatos. Um levantamento divulgado pela Band em abril de 2026, apontou crescimento de 173,8% nas matrículas em cursos preparatórios para concursos no primeiro trimestre do ano, em comparação com os três últimos meses de 2025.

A estabilidade profissional aparece mesmo como uma das principais razões para esse movimento. Segundo o levantamento, cerca de seis em cada dez candidatos apontam a segurança no emprego como principal motivação para disputar uma vaga no serviço público.

Mas quem são essas pessoas? O levantamento mostra que o público é formado principalmente por jovens adultos. A faixa etária de 25 a 29 anos é a mais representativa, seguida pelos candidatos de 30 a 34 e de 35 a 39 anos.

Outro dado interessante é que a preparação não é uma atividade exclusiva de quem está desempregado: 67,8% dos participantes estavam empregados, enquanto 32,2% não tinham trabalho no momento da pesquisa.

Isso indica que muitos candidatos estudam para concursos mesmo quando já possuem uma ocupação profissional, seja para buscar melhores condições de trabalho, aumentar a renda ou conquistar maior segurança na carreira.

Veja concursos que abrem inscrições na primeira semana de novembro

Para quem pretende ingressar no serviço público, a primeira semana de novembro reúne oportunidades em diferentes estados brasileiros.

Ao todo, 23 órgãos e instituições começam a receber inscrições entre os dias 3 e 6 de novembro. Há vagas em prefeituras, câmaras municipais, universidades, tribunais e órgãos federais. Confira alguns destaques:

Concurso/órgão Vagas Salário máximo
TRF-3 11 R$ 20.013,11
UFCSPA (RS) 10 R$ 21,3 mil
Câmara de São Francisco do Sul (SC) 17 R$ 10.924,72
Prefeitura de São Julião (PI) 114 Conforme o cargo
IPAM Porto Velho (RO) 69 R$ 5 mil
IDAF-ES 14 R$ 8.477,00
Prefeitura de Faina (GO) 69 Conforme o cargo
Prefeitura de Concórdia (SC) 8 R$ 6.057,51
Universidade de Jataí (GO) 22 Conforme o cargo
Unesp (SP) 1 R$ 25.200,00

Veja a lista completa: Concursos: 1ª semana de novembro tem 23 órgãos abrindo inscrições

A lista também inclui oportunidades em outras prefeituras e instituições, com vagas para diferentes níveis de escolaridade e áreas profissionais.

Entre os destaques está o concurso do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), que oferece 11 vagas para técnicos e analistas judiciários, com remuneração de até R$ 20.013,11.

Na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), são 10 vagas para professor assistente, com remuneração que pode chegar a R$ 21,3 mil, conforme a titulação e o regime de trabalho.

Já a Universidade Estadual Paulista (Unesp) oferece uma vaga para professor em Botucatu, com remuneração de aproximadamente R$ 25,2 mil.

Também há oportunidades municipais, como o concurso da Prefeitura de São Julião, no Piauí, que prevê 114 vagas, e o da Prefeitura de Faina, em Goiás, com 69 oportunidades.

É importante observar que a relação reúne tanto concursos públicos quanto processos seletivos simplificados. Algumas seleções podem oferecer contratos temporários, sem a mesma estabilidade dos cargos efetivos.

Os prazos de inscrição variam conforme o edital, por isso os candidatos devem conferir os requisitos, as remunerações, as taxas e as datas diretamente nos documentos oficiais.

Vale a pena estudar para concurso mesmo com o desemprego em queda?

A redução do desemprego indica um cenário mais favorável para quem procura trabalho, mas não elimina o interesse por oportunidades no serviço público.

A escolha entre a iniciativa privada e uma carreira pública depende dos objetivos profissionais, da área de atuação, das condições de trabalho e das expectativas de cada candidato.

Enquanto o setor privado oferece oportunidades em diferentes segmentos e possibilidades de crescimento profissional, os concursos permitem disputar vagas com remuneração e atribuições previamente estabelecidas.

Para quem deseja ingressar no serviço público, acompanhar os editais, verificar os requisitos e organizar uma rotina de estudos são passos importantes. Mesmo diante de um mercado de trabalho mais aquecido, os concursos continuam representando uma possibilidade de carreira para profissionais com diferentes níveis de formação.