O concurso da Câmara Municipal de Goiânia passou a enfrentar um novo capítulo de questionamentos após a identificação de possíveis irregularidades envolvendo candidatos e a banca organizadora, o Instituto Verbena da Universidade Federal de Goiás, responsável pela organização das provas.
Um despacho recente da Secretaria de Controle Externo do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás (TCM-GO) apontou indícios de vínculos adicionais entre participantes do certame e a banca. A investigação ganhou força após a análise de documentos que sugerem que duas candidatas teriam mantido relações profissionais com o instituto em períodos próximos à realização do concurso.
Diante dos elementos levantados, o órgão técnico do TCM-GO considerou adequada e necessária a suspensão parcial do certame como medida preventiva, embora a decisão definitiva ainda dependa do conselheiro relator Humberto Aidar.
Denúncias
O caso se soma a uma denúncia anterior que já havia colocado o concurso sob suspeita. Na ocasião, foi levantada a possibilidade de vínculo entre o candidato classificado em primeiro lugar para o cargo de administrador e a banca organizadora, o que teria motivado a abertura de apurações formais.
De acordo com o despacho, uma das candidatas investigadas teria atuado como assessora de comunicação e jornalista do Instituto Verbena, colaborando inclusive na produção de conteúdos institucionais e na revisão de materiais estratégicos. Procurada, ela afirmou que não mantém mais vínculo com a instituição.
Já a segunda candidata, segundo o TCM-GO, teria exercido função remunerada e de confiança no instituto ao mesmo tempo em que participava de concursos organizados pela entidade, situação considerada potencialmente irregular.
Em nota oficial, a Câmara de Goiânia declarou que respeita e cumpre as determinações dos órgãos de controle e do Judiciário, e informou que irá prestar todos os esclarecimentos solicitados dentro do prazo estabelecido. O Instituto Verbena/UFG, por sua vez, afirmou que conduziu o concurso com rigor técnico, garantindo mecanismos de rastreabilidade e transparência em todas as etapas, além de reforçar que os fatos estão sendo apurados.
A origem da polêmica
A controvérsia teve início após a divulgação do resultado preliminar da prova objetiva, em 26 de março de 2026. Na ocasião, o presidente da Câmara, Romário Policarpo, acionou a banca organizadora e comunicou o caso ao Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO).
No ofício encaminhado ao Instituto Verbena, foram solicitados esclarecimentos sobre a eventual existência de vínculo entre candidatos e a banca, bem como a apuração de possível acesso privilegiado ao conteúdo das provas. No mesmo dia, a situação também foi formalmente levada ao Ministério Público, com o envio de documentos para análise.
Apesar das suspeitas, o Instituto Verbena informou anteriormente que o concurso não foi suspenso e segue o cronograma previsto em edital, destacando que eventuais medidas serão adotadas conforme a legislação vigente.
Veja a publicação da banca no dia 1º de abril de 2026:
Detalhes do concurso
O concurso da Câmara de Goiânia reuniu mais de 30 mil candidatos e oferece 62 vagas imediatas, além de 315 em cadastro de reserva, contemplando cargos de níveis médio, técnico e superior.
Para nível médio e técnico, os salários iniciais são de R$ 6.538,56, com oportunidades para funções como agente administrativo, motorista, cinegrafista e técnico eletroeletrônico. Já para nível superior, a remuneração chega a R$ 10.059,32, abrangendo cargos como administrador, contador, psicólogo e analista de comunicação.
A jornada de trabalho padrão é de 30 horas semanais, com exceção do cargo de médico do trabalho, que possui carga de 20 horas.
A prova objetiva ocorreu em 15 de março, com duração de quatro horas e exigência de nota mínima de 60 pontos para aprovação.
O processo seletivo ainda prevê etapas complementares, como prova prática para cargos específicos, além de avaliação biopsicossocial e procedimentos de heteroidentificação para candidatos que concorrem às vagas reservadas.
Com a análise técnica concluída, o caso agora aguarda decisão do relator no TCM-GO, que poderá determinar a suspensão parcial ou outras medidas administrativas. Enquanto isso, o concurso segue sob acompanhamento dos órgãos de controle e do Ministério Público.
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