A mobilização dos funcionários da Caixa Econômica Federal após a deflagração da greve nacional causou mudança de rumo nas negociações. A Caixa decidiu recuar e informou, no último domingo (13), que irá reabrir a mesa de Negociação Coletiva com as entidades representativas dos trabalhadores.
A decisão ocorre poucos dias depois da instituição comunicar a suspensão de direitos e benefícios que vinham sendo mantidos provisoriamente após o encerramento da vigência dos acordos coletivos. Agora, enquanto as novas tratativas estiverem em andamento, a Caixa também suspenderá as medidas administrativas previstas na CE VIPES 11183/2026.
Para o movimento sindical, a mudança representa uma vitória da mobilização dos empregados, mas a retomada do diálogo não significa o fim da paralisação. A categoria cobra avanços concretos nas propostas apresentadas pelo banco, principalmente em relação ao Saúde Caixa e à manutenção dos direitos dos trabalhadores.
Em comunicado encaminhado às unidades, a Caixa informou que adotará providências para permitir a prorrogação, de forma precária e excepcional, dos benefícios atualmente disponibilizados aos empregados. A medida deverá manter as condições praticadas antes de 31 de agosto de 2026, enquanto as negociações estiverem em curso.
A reabertura da mesa, porém, é tratada pelas entidades sindicais como apenas o primeiro passo. A expectativa é que a Caixa apresente propostas capazes de solucionar os principais pontos de impasse e atender às reivindicações dos empregados. Veja a publicação do presidente da Fenae:
Greve tem adesão em todos os estados
A mobilização ganhou força após a rejeição da proposta apresentada pela Caixa nas assembleias realizadas pelos empregados. Na avaliação das entidades sindicais, a insatisfação está especialmente relacionada ao Saúde Caixa, além de outras questões envolvendo remuneração, benefícios e acordos coletivos.
O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região reuniu no domingo (13) a coordenação do comando de greve para avaliar o início da paralisação e os acontecimentos dos últimos dias.
De acordo com o balanço apresentado pelo sindicato, 245 das 283 agências da Caixa existentes na base da entidade ficaram fechadas no primeiro dia de greve. A paralisação também alcançou quatro unidades administrativas do banco na capital paulista: Sé, Brás, São Joaquim e Paulista.
As entidades afirmam que a mobilização contou com participação expressiva dos bancários, dirigentes sindicais e delegados sindicais envolvidos nas atividades de organização e esclarecimento da categoria.
Banco havia anunciado suspensão de benefícios
O conflito se intensificou na sexta-feira (11), quando, após a rejeição da proposta nas assembleias, a Caixa encaminhou comunicado às unidades informando medidas relacionadas ao encerramento da vigência dos acordos coletivos.
O ACT referente ao período 2024/2026 terminou em 31 de agosto. Como a proposta mais recente não foi aprovada pelos empregados, o banco havia indicado que as condições mantidas provisoriamente também deixariam de ser aplicadas.
Entre os efeitos anunciados estavam medidas envolvendo reajustes salariais, benefícios, Participação nos Lucros e Resultados (PLR), auxílio-refeição e auxílio-cesta-alimentação. A comunicação gerou reação das entidades sindicais, que cobraram a preservação dos direitos e a retomada imediata das negociações.
Com o avanço da greve, entretanto, a Caixa mudou de posição e concordou em suspender as medidas anunciadas e voltar à mesa de negociação.
O que acontece nesta segunda-feira, 14
A mobilização continua nesta segunda-feira (14). O Comando Nacional dos Bancários realiza nova reunião para definir ações conjuntas e avaliar os próximos passos após o recuo da Caixa.
O comando de greve do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região também realizará reuniões on-line, a partir das 16h, com as diferentes regionais da entidade. O objetivo é discutir a continuidade da paralisação, organizar novas ações e ouvir os trabalhadores.
Também está previsto um ato às 11h30, em frente à unidade da Caixa localizada na Avenida Paulista, 750, em São Paulo.
Com informações da CONTEC e Sindbancários
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