Conseguir um emprego com carteira assinada não significa perder automaticamente o Bolsa Família. A regra atual do programa prevê um período de transição para famílias que melhoram temporariamente a renda, permitindo que continuem recebendo parte do benefício por um prazo determinado. Ainda assim, é fundamental entender os limites de renda e as condições exigidas pelo governo para evitar bloqueios ou cancelamentos.
O Bolsa Família é coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social e atende milhões de famílias em situação de vulnerabilidade social em todo o país. As normas passaram por ajustes recentes, especialmente na chamada Regra de Proteção, que define como funciona a permanência no programa após aumento de renda.
Qual é a renda limite para entrar no programa
Para ter direito ao Bolsa Família, a renda mensal por pessoa da família deve ser de até R$ 218. O cálculo é simples : soma-se toda a renda da casa e divide-se pelo número de moradores, incluindo crianças e adolescentes.
- Exemplo: Uma família com cinco pessoas e renda total de R$ 1.000
1.000 dividido por 5 = R$ 200 por pessoa
Nesse caso, a família estaria dentro do limite permitido.
Se o valor por integrante ultrapassar R$ 218, a família deixa de se enquadrar na regra geral de entrada no programa. Além da renda, é obrigatório estar inscrito e com dados atualizados no Cadastro Único.
Posso receber o Bolsa Família trabalhando ?
Sim. Quem consegue emprego não perde automaticamente o benefício. Com a chamada Regra de Proteção, famílias que aumentam a renda acima do limite inicial podem continuar recebendo 50 por cento do valor do benefício por até 12 meses, desde que a renda por pessoa não ultrapasse R$ 706.
Antes, o prazo de transição era de 24 meses, mas foi reduzido após mudanças promovidas pelo governo federal. A justificativa foi a melhora no mercado de trabalho formal e o aumento da renda média das famílias brasileiras.
Durante esse período, a família permanece no programa com valor reduzido, funcionando como uma rede de segurança enquanto a situação financeira se estabiliza.
Quando o benefício é cancelado?
O cancelamento ocorre quando :
- A renda por pessoa ultrapassa R$ 706;
- O Cadastro Único está desatualizado;
- Há descumprimento das condicionalidades do programa
Se a renda superar R$ 706 por integrante, o benefício é encerrado. No entanto, mesmo após sair do programa, a família continua registrada no Cadastro Único.
Quem saiu pode voltar ?
Sim. Caso a renda volte a cair e a família retorne à condição de vulnerabilidade, é possível solicitar a reinclusão no Bolsa Família.
Segundo o ministro Wellington Dias, quem supera a pobreza sai do programa, mas não sai do Cadastro Único. Se perder o emprego futuramente, pode retornar sem precisar enfrentar longa fila, desde que cumpra novamente os critérios de renda.
Essa medida busca dar segurança para que beneficiários aceitem oportunidades formais de trabalho sem medo imediato de perder a proteção social.
Dados recentes indicam que mais de 250 mil vagas formais foram ocupadas, apenas em fevereiro, por pessoas em situação de vulnerabilidade. Mais de 50% dos novos empregos criados no período foram preenchidos por inscritos no Cadastro Único.
Levantamentos da Pnad Contínua também apontam crescimento da proporção de domicílios classificados como classe média, passando de 36,7% para 50,1%.
Condicionalidades continuam obrigatórias
Mesmo trabalhando, o beneficiário precisa cumprir as exigências do programa :
- Vacinação das crianças em dia;
- Frequência escolar mínima;
- Acompanhamento pré-natal para gestantes;
- Monitoramento nutricional infantil
O descumprimento pode gerar advertência, bloqueio ou suspensão do pagamento. Manter o Cadastro Único atualizado é essencial. Mudanças de endereço, renda ou composição familiar devem ser informadas ao setor responsável no município. A atualização evita bloqueios indevidos e garante que a família continue enquadrada corretamente nas regras.
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