O início de 2026 pode marcar uma grande redução no número de beneficiários do Bolsa Família. Dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) indicam que o programa pode ter 1 milhão a menos em janeiro, reflexo direto de bloqueios, suspensões e cancelamentos aplicados ao longo de 2025, especialmente após o avanço das ações de qualificação cadastral.

O cenário chama atenção porque ocorre em meio a um período de pagamentos intensos no fim do ano. Em dezembro, o Bolsa Família segue atendendo milhões de brasileiros, mas a atualização rigorosa dos cadastros e o cumprimento das regras do programa vêm alterando significativamente o perfil e o total de famílias contempladas.

Pagamentos de dezembro até o dia 23

O pagamento do Bolsa Família em dezembro começou no dia 10 e segue até esta terça-feira, dia 23, conforme o calendário pelo final do Número de Identificação Social (NIS) do responsável familiar. As datas foram ajustadas por conta das festas de fim de ano, tornando o cronograma mais compacto.

Mesmo com o calendário em andamento, o MDS já observa os efeitos das ações de controle e fiscalização. Atualmente, o programa beneficia cerca de 18,7 milhões de famílias, garantindo proteção social a mais de 49 milhões de pessoas em todo o país. Desse total, 58,7% são meninas ou mulheres, e em 84,37% dos lares a mulher é a responsável familiar.

Entrada de novas famílias não compensa saídas

Em dezembro de 2025, aproximadamente 602,9 mil novas famílias passaram a integrar o Bolsa Família. Todas elas foram notificadas sobre a concessão do benefício e receberam orientações sobre as regras que precisam ser seguidas para a manutenção dos pagamentos.

Apesar disso, o número de desligamentos e interrupções temporárias tem sido maior do que o volume de novas concessões. Apenas em dezembro, 4,64% das famílias beneficiárias, o equivalente a cerca de 869,3 mil, estavam com o benefício interrompido, seja por bloqueio, suspensão ou cancelamento.

Bloqueios e suspensões explicam redução prevista

  • Os bloqueios atingiram aproximadamente 197,8 mil famílias neste mês. A principal causa foi a Revisão Cadastral prevista na Ação de Qualificação Cadastral de 2025, regulamentada por instrução normativa publicada em fevereiro. As famílias afetadas foram comunicadas por mensagens no extrato de pagamento e no aplicativo Bolsa Família.
  • Já as suspensões alcançaram cerca de 71 mil famílias e estão relacionadas, principalmente, ao descumprimento reiterado de condicionalidades nas áreas de saúde e educação. Nesses casos, a penalidade tem duração de dois meses e não gera pagamento retroativo após a regularização.
  • O impacto mais expressivo vem dos cancelamentos definitivos. Em dezembro, aproximadamente 600 mil famílias tiveram o benefício cancelado. Entre os principais motivos estão a não atualização cadastral dentro do prazo, a melhoria da renda familiar e o encerramento do período máximo de permanência na chamada Regra de Proteção.

O processo de qualificação cadastral teve início ainda em fevereiro de 2025 e tinha como objetivo atualizar os dados de cerca de 8 milhões de famílias inscritas no Cadastro Único, sendo aproximadamente 4 milhões beneficiárias do Bolsa Família.

Desde julho, o não comparecimento às convocações resulta em desligamento após cinco meses, considerando o período de aviso e bloqueio.

Auxílio Gás também passa por mudanças

Além do Bolsa Família, o Auxílio Gás, agora integrado ao Programa Gás do Povo, também passou por ajustes. Em dezembro, 4,4 milhões de famílias receberam o benefício no valor de R$ 110, totalizando R$ 485,9 milhões em repasses.

No entanto, parte dos beneficiários teve o pagamento cancelado após mudanças nas regras. O auxílio monetário passou a ser direcionado apenas às famílias em situação de maior vulnerabilidade, especialmente aquelas com maior número de integrantes, conforme prevê a Portaria nº 764.

Prazo para recurso vai até 31 de janeiro

As famílias que tiveram o benefício bloqueado, suspenso ou cancelado ainda têm chance de regularizar a situação.

O prazo para apresentação de recurso termina em 31 de janeiro de 2026. O procedimento deve ser feito diretamente junto à gestão municipal do Cadastro Único, e a decisão depende da análise no Sistema Sicon.

É importante destacar que advertências não suspendem o pagamento imediatamente, mas podem resultar em bloqueio no mês seguinte. Já os valores bloqueados em novembro, por exemplo, podem ser sacados agora em dezembro, caso a situação tenha sido regularizada.