Milhões de famílias que recebem o Bolsa Família devem começar 2027 com o mesmo valor mínimo pago atualmente. A proposta de Orçamento da União encaminhada ao Congresso Nacional não prevê reajuste do benefício e mantém em R$ 600 o valor mínimo por família.
O projeto reserva R$ 157,1 bilhões para o Bolsa Família em 2027. O montante é quase o mesmo dos R$ 158,6 bilhões previstos para 2026 e também fica abaixo dos R$ 167,2 bilhões destinados ao programa em 2025.
Com a proposta apresentada pelo governo, portanto, não há previsão de aumento do valor do benefício. A manutenção do piso de R$ 600 ocorre em um momento de controle das despesas públicas e de busca por limitar o crescimento de gastos obrigatórios.
É importante destacar, porém, que o orçamento ainda será analisado pelo Congresso Nacional. Durante a tramitação, deputados e senadores podem propor mudanças na previsão de recursos e discutir uma eventual recomposição dos valores.
Caso a proposta seja aprovada sem alterações nesse ponto, o benefício mínimo continuará em R$ 600 por família.
O programa não recebe um reajuste geral desde seu relançamento, em março de 2023. A legislação permite que os valores sejam revisados em determinado intervalo, mas, segundo a interpretação adotada pelo governo, essa possibilidade não significa que a correção seja obrigatória.
O Bolsa Família era calculado por diferentes benefícios, e o valor recebido dependia da composição da família. Em 2022, o então Auxílio Brasil passou a ter piso de R$ 400 após a pandemia, posteriormente elevado para R$ 600 em promessa de campanha de ambos os candidatos, Jair Bolsonaro e Luís Inácio Lula da Silva.
Desde a retomada do nome Bolsa Família em 2023 com o atual governo, o programa estabeleceu R$ 600 como piso mínimo por família, podendo haver adicionais conforme a composição familiar, o que elevou o valor médio para a casa de R$ 680,00. Veja quais foram os valores médios do Bolsa Família nos últimos anos:
| Ano | Benefício médio mensal aproximado |
|---|---|
| 2018 | R$ 183 |
| 2019 | R$ 188 |
| 2020 | R$ 190 |
| 2021 | R$ 210 |
| 2022 | R$ 394 |
| 2023 | R$ 670 |
| 2024 | R$ 680 |
| 2025 | R$ 680 |
| 2026 | R$ 680 |
Mesmo com piso de R$ 600, esse não é necessariamente o valor recebido por todos os beneficiários. O Bolsa Família possui uma estrutura que considera a quantidade e a idade dos filhos. Por isso, famílias com mais crianças, adolescentes ou gestantes podem receber valores superiores ao piso.
Atualmente, o programa considera o Benefício de Renda de Cidadania, de R$ 142 por integrante. Quando a soma dos benefícios não alcança R$ 600, o Benefício Complementar garante que a família receba o piso estabelecido. Também existem parcelas adicionais.
| Benefício | Valor |
| Benefício mínimo por família | R$ 600 |
| Criança de até 6 anos | R$ 150 |
| Gestante | R$ 50 |
| Criança ou adolescente de 7 a 18 anos incompletos | R$ 50 |
| Bebê de até 6 meses | R$ 50 |
Os adicionais são calculados conforme a composição da família e podem ser acumulados quando o grupo familiar possui mais de uma pessoa que atende aos critérios.
Por isso, uma família com várias crianças pequenas, por exemplo, pode receber mais de R$ 1.200 em determinado mês. Esse valor, entretanto, não representa um novo benefício ou uma parcela fixa de R$ 1.200 para todos.
A possibilidade de o Bolsa Família chegar a R$ 1.200 em 2027 tem gerado dúvidas entre os beneficiários. Até o momento, porém, não existe nenhum anúncio oficial estabelecendo um pagamento de R$ 1.200 para todas as famílias. O que pode ocorrer naturalmente é determinados grupos familiares terem esse valor devido à soma do benefício básico e dos adicionais previstos no programa.
Também não há confirmação de 13º salário do Bolsa Família ou de uma parcela extra nacional. Dessa forma, é preciso diferenciar o valor individual recebido por cada família de uma eventual parcela extraordinária. O benefício varia conforme a composição familiar e as regras do programa.
Quem pode receber o Bolsa Família
Para entrar no programa, a principal regra de renda estabelece limite de até R$ 218 por pessoa da família. Também é necessário estar inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) e manter os dados atualizados.
As famílias beneficiárias ainda precisam cumprir as condicionalidades previstas pelo programa, especialmente nas áreas de saúde e educação.
Em agosto de 2026, o Bolsa Família atendia aproximadamente 19,3 milhões de famílias. No mesmo mês de 2025, eram cerca de 19,2 milhões.
Mesmo com a previsão de redução nominal dos recursos para 2027, o número de famílias atendidas permanece próximo ao registrado no ano anterior.
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