O que era para ser um alívio no orçamento doméstico de milhões de famílias brasileiras tem se transformado em motivo de insatisfação em diversas regiões do país. O programa Gás do Povo, criado para garantir o acesso gratuito ao botijão de gás de cozinha para pessoas de baixa renda, passou a ser alvo de críticas por cobranças indevidas e pela dificuldade de acesso em muitos municípios.
Relatos de beneficiários indicam que, na prática, o modelo atual, que substituiu o pagamento em dinheiro por vouchers, ainda enfrenta entraves operacionais e distorções de preço. Em cidades como Ribeirão das Neves (MG), Padre Bernardo (GO), Flores (PE) e Timon (MA), moradores afirmam que precisam desembolsar valores extras para retirar o botijão, contrariando as regras oficiais do programa.
Cobranças indevidas preocupam beneficiários
Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), o benefício deve cobrir integralmente o custo do botijão de gás de 13 kg. A legislação do programa é clara ao proibir qualquer cobrança adicional, exceto em casos de serviços extras, como entrega em domicílio ou instalação.
Mesmo assim, beneficiários relatam que, em diversas revendas, o valor do voucher não é suficiente para cobrir o preço total do produto. Como consequência, famílias em situação de vulnerabilidade acabam tendo que pagar a diferença para garantir o acesso ao gás de cozinha, item essencial no dia a dia.
Especialistas do setor já alertavam para esse risco no momento da reformulação do programa. A adoção de um valor fixo nacional, sem considerar variações regionais, pode gerar distorções, principalmente em estados onde o preço do gás é mais elevado.
Diferença de preços pressiona o programa
Representantes do setor de GLP afirmam que o valor definido pelo governo, em alguns casos, está abaixo do preço praticado no mercado. Essa diferença pode chegar a cerca de R$ 30 em estados como o Amazonas e a aproximadamente R$ 16 em São Paulo.
Essa defasagem tem gerado desestímulo entre revendedores, que, segundo entidades do setor, podem optar por deixar o programa caso a situação persista. A preocupação é que, sem uma atualização periódica baseada nos preços regionais, o número de empresas credenciadas diminua, agravando ainda mais o problema de acesso.
Além disso, o repasse de reajustes no mercado de gás ocorre de forma imediata pelas distribuidoras, enquanto o valor do benefício pode demorar a acompanhar essas mudanças, ampliando o desequilíbrio.
Falta de revendas dificulta acesso
Outro ponto crítico do Gás do Povo é a ausência de revendas credenciadas em diversos municípios brasileiros. Dados recentes apontam que cerca de 1.290 cidades ainda não possuem pontos autorizados para a retirada do botijão, apesar de já contarem com beneficiários cadastrados.
Nesses casos, a orientação oficial é que o cidadão procure uma revenda em cidades vizinhas. Na prática, isso pode significar deslocamentos longos e custos adicionais. Há relatos de moradores que precisam percorrer até 60 quilômetros para conseguir retirar o benefício.
Embora o governo afirme que o programa já conta com mais de 20 mil revendas credenciadas em todo o país e que novas adesões estão em andamento, a distribuição ainda é desigual, concentrando-se principalmente em grandes centros urbanos.
Atualmente, o preço médio do botijão de gás no Brasil gira em torno de R$ 109,91, segundo dados recentes da Agência Nacional do Petróleo (ANP).
Como acessar o benefício
Para ter acesso ao Gás do Povo, o cidadão deve estar inscrito no Cadastro Único (CadÚnico), com renda familiar de até meio salário mínimo por pessoa e dados atualizados. O programa prioriza famílias beneficiárias do Bolsa Família.
A consulta pode ser feita pelo aplicativo "Meu Social - Gás do Povo", onde também é possível verificar a disponibilidade do voucher e localizar revendas credenciadas. A retirada do botijão ocorre diretamente nos pontos autorizados, mediante validação com CPF, cartão social ou código enviado ao celular.
Desde sua implementação gradual, iniciada em novembro de 2025, o programa vem sendo ampliado e já alcança cerca de 15 milhões de famílias em todo o país.
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