Um novo ciclo de investimentos da Petrobras promete recolocar o Rio Grande do Sul no centro da indústria naval brasileira. Contratos assinados nesta semana para a construção de embarcações de grande porte devem gerar cerca de 7 mil empregos diretos e indiretos no estado, além de impulsionar cadeias produtivas ligadas à metalurgia, logística, engenharia e formação profissional.
O pacote faz parte de um investimento nacional de R$ 2,8 bilhões, envolvendo estaleiros de três estados e abrangendo a fabricação de navios gaseiros, empurradores e barcaças. No entanto, é no município de Rio Grande, no extremo sul gaúcho, que está concentrada a maior parte dos recursos, com expectativa de forte impacto econômico regional.
O estaleiro Rio Grande Ecovix será responsável pela construção de cinco navios gaseiros encomendados pela Transpetro, subsidiária da Petrobras responsável pelo transporte de petróleo, combustíveis e gás. O valor destinado apenas a essa etapa chega a R$ 2,2 bilhões, o que garante atividade contínua ao estaleiro pelos próximos anos.
Os gaseiros são embarcações especializadas no transporte de gases liquefeitos, como o GLP, produto essencial no cotidiano de milhões de famílias brasileiras. A previsão é que o primeiro navio seja entregue em cerca de 33 meses, com novas unidades sendo concluídas em intervalos semestrais.
De acordo com a Petrobras, a frota de gaseiros da Transpetro passará de seis para 14 unidades, ampliando a capacidade de transporte e reduzindo a dependência do afretamento de navios estrangeiros.
Empregos na região crescem
Somente no estaleiro gaúcho, a expectativa é de 7 mil novos postos de trabalho, somando vagas diretas e indiretas ao longo do projeto. Atualmente, a unidade opera com algumas centenas de funcionários, mas a projeção é de que o quadro de pessoal cresça de forma acelerada a partir de 2026.
Segundo representantes da empresa, os recrutamentos devem se intensificar ao longo do próximo ano, especialmente para funções técnicas, como soldadores, caldeireiros, montadores, engenheiros, eletricistas e profissionais da área naval.
Além da geração de empregos, o projeto também deve estimular a economia regional por meio da contratação de fornecedores locais, serviços de apoio e investimentos em infraestrutura.
Embarcações mais eficientes e sustentáveis
Os novos navios gaseiros contarão com tecnologia mais moderna e eficiente. Segundo a Petrobras, as embarcações serão até 20% mais econômicas no consumo de energia, além de estarem preparadas para operar em portos eletrificados.
A modernização da frota é vista como estratégica tanto do ponto de vista ambiental quanto logístico, já que amplia a autonomia da estatal no transporte de combustíveis e derivados em território nacional.
Projetos também no Amazonas e em Santa Catarina
Embora o maior volume de investimentos esteja concentrado no Rio Grande do Sul, outros estados também serão beneficiados.
No Amazonas, o estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia, em Manaus, ficará responsável pela construção de 18 barcaças, utilizadas principalmente no transporte de grandes volumes de cargas em rios da região Norte. O investimento nessa etapa é de aproximadamente R$ 295 milhões.
Já em Santa Catarina, o estaleiro Indústria Naval Catarinense, em Navegantes, produzirá 18 empurradores, embarcações responsáveis por conduzir barcaças em comboios fluviais e costeiros. O custo dessa fase é estimado em R$ 325 milhões.
Programa Mar Aberto
As contratações fazem parte do Programa Mar Aberto, iniciativa do governo federal voltada à retomada da indústria naval brasileira. O programa prevê cerca de R$ 32 bilhões em investimentos até 2030, incluindo a construção de navios de cabotagem, embarcações de apoio marítimo e renovação de frotas logísticas.
Entre os objetivos do programa estão o fortalecimento da cadeia produtiva nacional, a ampliação do conteúdo local nas encomendas e a redução da dependência de embarcações estrangeiras, além da geração de empregos em setores industriais estratégicos.
Capacitação profissional
Com a previsão de forte demanda por mão de obra especializada, a Petrobras anunciou investimentos paralelos em qualificação profissional.
Um dos destaques é a inauguração, ainda neste semestre, de uma nova escola do Senai em Rio Grande, voltada especificamente à formação de trabalhadores para a indústria naval.
Além disso, programas de capacitação com bolsas de estudo devem ofertar cerca de 1,6 mil vagas em cursos técnicos, preparando profissionais para atuar nos estaleiros e em atividades associadas.
A indústria naval brasileira viveu um período de retração nos últimos anos, mas os novos contratos sinalizam uma retomada consistente. Segundo dados apresentados durante o anúncio, o setor saiu de cerca de 18 mil empregos em 2022 para aproximadamente 50 mil postos de trabalho no fim de 2025, com expectativa de alcançar novamente patamares próximos de 80 mil empregos até 2028.
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