O aumento do Bolsa Família não foi suspenso. O governo federal confirmou a atualização dos benefícios, que eleva o valor mínimo por família de R$ 600 para R$ 691 a partir da folha de outubro de 2026.
A mudança foi oficializada pelo Decreto nº 13.120/2026, publicado em 17 de setembro. O reajuste é de 15,04% e considera a variação acumulada do INPC entre março de 2023 e agosto de 2026. Os novos valores estarão disponíveis aos beneficiários a partir de 19 de outubro.
A medida chegou a ser questionada na Justiça Eleitoral. O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) apresentou uma ação contra o reajuste, alegando que a atualização poderia ter finalidade eleitoral. O pedido, porém, foi rejeitado pelo ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Depois disso, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reconheceu a validade do decreto e afirmou que a atualização não viola as regras eleitorais.
Bolsa Família de R$ 691 está mantido para outubro
Com a decisão mais recente, o reajuste segue válido. Portanto, não há suspensão do aumento para a folha de outubro. O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social informou que o novo piso será de R$ 691. O valor médio estimado do programa também subirá, passando de R$ 675 para aproximadamente R$ 777.
É importante destacar que R$ 691 é o valor mínimo garantido por família, e não uma quantia fixa recebida por todos. O pagamento final depende da composição familiar e dos benefícios adicionais aos quais cada integrante tenha direito.
| Benefício | Valor anterior | Novo valor |
|---|---|---|
| Piso do Bolsa Família | R$ 600 | R$ 691 |
| Renda de Cidadania | R$ 142 | R$ 164 |
| Primeira Infância | R$ 150 | R$ 173 |
| Variável Familiar | R$ 50 | R$ 58 |
| Valor médio estimado | R$ 675 | R$ 777 |
O Decreto nº 13.120 determina que a atualização produza efeitos financeiros a partir do primeiro dia do mês seguinte à publicação.
Por que o reajuste do Bolsa Família foi questionado?
A discussão começou depois que o governo federal anunciou a correção dos valores em pleno ano eleitoral. O deputado Zé Trovão acionou o TSE para tentar barrar o reajuste. A argumentação apresentada questionava a aplicação da medida durante o período eleitoral.
O ministro André Mendonça, entretanto, não analisou o mérito da acusação. A ação foi rejeitada por uma questão processual. Segundo a decisão divulgada pela Agência Brasil, Mendonça entendeu que um candidato a deputado federal não teria legitimidade para apresentar aquela ação contra um candidato à Presidência, já que os cargos são disputados em circunscrições eleitorais diferentes.
Por isso, é incorreto afirmar que Mendonça concluiu que o reajuste era constitucional ou que analisou definitivamente a legalidade do aumento. A decisão dele foi baseada em uma questão processual. A situação ganhou novo capítulo no STF.
Gilmar Mendes reconhece validade do aumento
Em 18 de setembro, o ministro Gilmar Mendes reconheceu a validade do decreto que reajustou o Bolsa Família.
Segundo o ministro, a medida representa uma atualização monetária de um programa social já existente, e não a criação de um novo benefício ou a ampliação do número de pessoas atendidas.
A decisão considerou que o reajuste foi calculado com base em um critério objetivo: a variação acumulada do INPC entre março de 2023 e agosto de 2026, que chegou a 15,04%.
A legislação do próprio Bolsa Família também prevê a possibilidade de alteração dos valores. O artigo 7º, § 3º, da Lei nº 14.601/2023 autoriza ato do Poder Executivo federal a modificar os valores dos benefícios e o valor de referência do programa. O § 4º estabelece que esses valores podem ser corrigidos, observadas as regras legais, sendo vedada a redução.
Com o novo decreto, o Benefício de Renda de Cidadania passou para R$ 164, o Benefício Primeira Infância para R$ 173 e o Benefício Variável Familiar para R$ 58. O complemento passou a garantir o piso de R$ 691.
Quando começa o pagamento do Bolsa Família de R$ 691?
Os novos valores entram na folha de outubro de 2026. Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, os pagamentos com os valores atualizados estarão disponíveis a partir de 19 de outubro, seguindo o calendário oficial do programa.
O reajuste também não significa que todos os beneficiários receberão exatamente R$ 691. O valor depende da quantidade e do perfil dos integrantes da família, além dos benefícios adicionais.
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