O debate sobre a atualização da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) voltou a ganhar força no Congresso Nacional. Os parlamentares aprovaram na noite da quarta-feira (1º) o Projeto de Lei 1087/25, que amplia a faixa de isenção para rendimentos mensais de até R$ 5 mil a partir de 2026, mas um estudo da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco) reacendeu a discussão sobre a defasagem histórica dessa tabela.
Sem correção, a entidade informou que se a tabela tivesse sido corrigida integralmente pela inflação, a faixa de isenção saltaria dos atuais R$ 2.259,20 para R$ 5.211,51, um reajuste de 130,68% e acima do que fora agora aprovado.
Dessa forma, o governo não faz nenhum "favor" em aprovar a medida, apenas corrige uma distorção histórica que cobrava ainda mais imposto de quem recebe menos no país.
A simulação mostra ainda que todas as demais faixas do imposto deveriam ter sido ajustadas em 176,23%, considerando o acumulado do IPCA desde 1996, já levando em conta reajustes pontuais feitos nos últimos anos, como a lei de 2024 que isentou rendimentos de até dois salários mínimos.
A correção teria impacto direto sobre milhões de brasileiros: o número de pessoas isentas de IRPF passaria de 17,3 milhões para 30,2 milhões, ou seja, mais 12,9 milhões de contribuintes deixariam de pagar o temido imposto de renda.
Como fica a tabela corrigida
Na simulação da Unafisco, a faixa de isenção chegaria a R$ 5.211,51. Já a alíquota máxima de 27,5% só incidiria a partir de rendas superiores a R$ 12.885,29 - atualmente, esse percentual já é aplicado a quem recebe acima de R$ 4.664,68. As deduções também teriam aumentos expressivos: o abatimento por dependente subiria de R$ 189,59 para R$ 523,71, enquanto o limite para gastos com educação passaria de R$ 3.561,50 para R$ 9.837,97.
Tabela comparativa IRPF (simulação Unafisco):
- Até R$ 2.259,20 (atual) → Isento
- Até R$ 5.211,51 (corrigida) → Isento
- R$ 2.259,21 a R$ 2.826,65 (atual) → R$ 169,44 (7,5%)
- R$ 5.211,52 a R$ 7.808,08 (corrigida) → R$ 390,86
- R$ 2.826,66 a R$ 3.751,05 (atual) → R$ 381,44 (15%)
- R$ 7.808,09 a R$ 10.361,56 (corrigida) → R$ 976,47
- R$ 3.751,06 a R$ 4.664,68 (atual) → R$ 662,77 (22,5%)
- R$ 10.361,57 a R$ 12.885,29 (corrigida) → R$ 1.753,59
- Acima de R$ 4.664,68 (atual) → R$ 896,00 (27,5%)
- Acima de R$ 12.885,29 (corrigida) → R$ 2.397,85
Proposta do governo é aprovada
O projeto aprovado na Câmara vai elevar agora a faixa de isenção para R$ 5 mil a partir de 2026, medida que vai beneficiar cerca de 10 milhões de pessoas.
Segundo cálculos do Ministério da Fazenda, o impacto fiscal será de R$ 25,8 bilhões anuais, compensados pela criação de uma tributação mínima sobre altas rendas. Contribuintes com rendimentos superiores a R$ 600 mil ao ano pagarão alíquotas progressivas, que podem chegar a 10% adicionais para quem ganha acima de R$ 1,2 milhão por ano.
De acordo com dados oficiais, apenas 0,13% dos contribuintes brasileiros seriam atingidos por essa cobrança extra, cerca de 141,4 mil pessoas, que hoje pagam uma alíquota efetiva média de apenas 2,54% do imposto.
Impactos para a economia
Especialistas avaliam que a medida pode significar um verdadeiro "14º salário" para milhões de trabalhadores. Segundo a economista Carla Beni, da Fundação Getulio Vargas (FGV), quem ganha perto da média salarial brasileira, em torno de R$ 3 mil, teria uma renda extra anual capaz de estimular o consumo, ajudar na quitação de dívidas e reduzir a inadimplência, que hoje atinge 72 milhões de brasileiros.
Ela também rebateu críticas de que a medida poderia pressionar a inflação, lembrando que os recursos seriam injetados gradualmente, à medida que a retenção na fonte deixar de ser feita. "O efeito é mais de estímulo à economia do que de risco inflacionário", afirmou.
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