O calendário de pagamentos do Bolsa Família em janeiro começou trazendo um alerta importante para parte dos beneficiários. Embora o programa siga garantindo transferência de renda para milhões de brasileiros, um grupo expressivo teve o repasse temporariamente interrompido neste início de ano. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) através do Informe Nº 106, cerca de 142 mil famílias estão com o benefício bloqueado neste mês, em meio aos processos de revisão cadastral e acompanhamento das regras do programa.
A medida ocorre ao mesmo tempo em que o Bolsa Família alcança um dos maiores públicos desde sua reformulação, com repasses programados para aproximadamente 18,7 milhões de famílias em todo o país. Os pagamentos começaram no dia 19 de janeiro e seguem até o dia 30, conforme o último dígito do Número de Identificação Social (NIS) do responsável familiar. O objetivo do bloqueio temporário, segundo o governo, é assegurar que os recursos continuem sendo direcionados às famílias que atendem aos critérios de renda e composição familiar exigidos.
Além do impacto financeiro imediato para quem teve o benefício suspenso, o tema também chama atenção para a importância da atualização cadastral e do cumprimento das condicionalidades nas áreas de saúde e educação. O governo reforça que, na maioria dos casos, o bloqueio pode ser revertido com a regularização das informações no Cadastro Único (CadÚnico).
Folha de pagamento Bolsa Família
Desde o fim do mês passado, novas famílias vêm sendo notificadas sobre a entrada no Bolsa Família, juntamente com orientações sobre regras de permanência e formas de acesso ao benefício. Em janeiro de 2026, cerca de 28,3 mil famílias passaram a integrar o programa, ampliando a cobertura da política de transferência de renda.
Mesmo com o alto número de atendidos, o MDS informou que apenas 1,57% do total de beneficiários, o equivalente a aproximadamente 293,7 mil famílias, enfrentam algum tipo de interrupção temporária neste mês. Dentro desse grupo, cerca de 142 mil famílias tiveram o pagamento bloqueado, sendo que aproximadamente 71 mil pertencem à Revisão Cadastral P8, em municípios que se encontram em situação de emergência e que receberam prazo ampliado para regularização, conforme a Ação de Qualificação Cadastral de 2025.
Além dos bloqueios temporários, o levantamento aponta que 151 mil famílias tiveram os benefícios cancelados em janeiro. Na maioria dos casos, a exclusão ocorreu porque houve melhora da renda familiar ou porque foi atingido o prazo máximo de permanência na chamada Regra de Proteção, mecanismo que permite continuar recebendo parte do benefício mesmo após aumento de renda.
Comunicação com as famílias
O governo federal reforça que todas as famílias beneficiárias são comunicadas oficialmente sobre bloqueios, suspensões, cancelamentos ou liberações do benefício por meio do extrato de pagamento, do aplicativo Bolsa Família e do aplicativo Caixa Tem, canais gerenciados pela Caixa Econômica Federal.
As mensagens incluem orientações sobre condicionalidades, necessidade de atualização cadastral e eventuais pendências que precisam ser regularizadas para retomada do pagamento. A gestão municipal também pode acompanhar os comunicados enviados às famílias por meio do sistema SIGBPF, que reúne os avisos e orientações encaminhados aos beneficiários.
Segundo o MDS, a comunicação direta é essencial para evitar que famílias percam o benefício por desconhecimento das regras ou dos prazos para regularização. Por isso, a recomendação é que os beneficiários consultem regularmente os aplicativos oficiais e fiquem atentos às mensagens exibidas no extrato.
Públicos prioritários atendidos em janeiro
O Bolsa Família mantém atenção especial a grupos considerados em maior situação de vulnerabilidade social. Em janeiro de 2026, cerca de 1,85 milhão de famílias pertencentes a públicos prioritários estão sendo atendidas pelo programa, desde que cumpram os critérios de renda e cadastro.
Entre os grupos contemplados estão:
- 247 mil famílias indígenas;
- 289 mil famílias quilombolas;
- 253 mil famílias com pessoas em situação de rua;
- 397 mil famílias de catadores de material reciclável;
- 38 mil famílias em risco social ou de violação de direitos;
- 625 mil famílias em situação de insegurança alimentar.
Além do valor mínimo de R$ 600 por família, o programa segue pagando adicionais conforme a composição do domicílio. O Benefício Primeira Infância (BPI), de R$ 150 por criança de até sete anos incompletos, atende em janeiro 8,4 milhões de crianças, com investimento de R$ 1,22 bilhão. Já o Benefício Variável Familiar Criança, de R$ 50, alcança 11,4 milhões de beneficiários, enquanto o Benefício Variável Adolescente contempla 2,2 milhões de jovens, também com adicional de R$ 50.
O Benefício Variável Gestante soma R$ 29,2 milhões para cerca de 625 mil gestantes, e o Benefício Variável Nutriz, destinado a famílias com bebês de até seis meses, chega a 375 mil lares, com investimento de R$ 17,9 milhões.
Distribuição regional dos benefícios
A maior concentração de famílias atendidas pelo Bolsa Família segue no Nordeste, região que historicamente reúne maior número de domicílios em situação de vulnerabilidade social. Em janeiro, o panorama regional é o seguinte:
- Nordeste: 8,75 milhões de famílias, com repasses de R$ 6 bilhões e benefício médio de R$ 686,44;
- Sudeste: 5,29 milhões de famílias, com investimento de R$ 3,72 bilhões e média de R$ 702,01;
- Norte: 2,44 milhões de famílias, com R$ 1,77 bilhão em repasses e benefício médio de R$ 725,20 — o maior do país;
- Sul: 1,29 milhão de famílias, com R$ 898,75 milhões e média de R$ 696,12;
- Centro-Oeste: 990 mil famílias, com R$ 703,06 milhões e benefício médio de R$ 709,65.
Calendário regular do Bolsa Família
Para a maioria dos beneficiários, o pagamento do Bolsa Família segue o calendário escalonado conforme o último dígito do NIS do responsável familiar. A exceção ocorre em municípios em situação de emergência ou calamidade pública reconhecida, nos quais o valor é liberado integralmente no primeiro dia do calendário.
Em janeiro de 2026, as datas oficiais são:
- NIS final 1: 19 de janeiro
- NIS final 2: 20 de janeiro
- NIS final 3: 21 de janeiro
- NIS final 4: 22 de janeiro
- NIS final 5: 23 de janeiro
- NIS final 6: 26 de janeiro
- NIS final 7: 27 de janeiro
- NIS final 8: 28 de janeiro
- NIS final 9: 29 de janeiro
- NIS final 0: 30 de janeiro
Tradicionalmente, a Caixa Econômica Federal também antecipa a liberação para saque no sábado anterior quando o pagamento está previsto para segunda-feira, facilitando o acesso aos recursos.
O que fazer para não perder o benefício
Para evitar bloqueios, suspensões ou cancelamentos do Bolsa Família, o governo orienta que as famílias mantenham atenção constante às regras do programa. Entre as principais recomendações estão:
- Manter o Cadastro Único atualizado, especialmente após mudanças de endereço, renda, escola dos filhos ou composição familiar;
- Cumprir as condicionalidades de saúde e educação, como vacinação, acompanhamento nutricional, pré-natal e frequência escolar mínima;
- Acompanhar o calendário oficial e consultar regularmente os aplicativos Caixa Tem e Bolsa Família.
No caso de bloqueio, a orientação é procurar o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) mais próximo para identificar a pendência e regularizar a situação. Após a correção das informações, o benefício pode ser retomado nos ciclos seguintes de pagamento, garantindo a continuidade da proteção social às famílias que se enquadram nos critérios do programa.
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