O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) publicou novas regras para o cadastramento domiciliar do Cadastro Único (CadÚnico), modalidade utilizada para inclusão e atualização de dados diretamente nas residências das famílias beneficiárias.
As mudanças foram oficializadas por meio da Instrução Normativa SAGICAD nº 21, de 4 de maio de 2026, e criam um conjunto de orientações técnicas voltadas às equipes municipais responsáveis pelas entrevistas em domicílio.
O objetivo do governo é aumentar a segurança das informações registradas, fortalecer o combate a irregularidades e ampliar o controle sobre famílias atendidas por programas sociais como Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC).
As novas diretrizes também detalham o que deve acontecer quando o entrevistador não consegue localizar a residência, quando há suspeita de fraude cadastral ou até mesmo situações de ameaça contra as equipes de campo.
Cadastro em casa passa a ser obrigatório em alguns casos
De acordo com o MDS, o cadastramento domiciliar é uma modalidade aplicada tanto em caráter prioritário quanto obrigatório.
A entrevista em casa será prioridade para famílias que enfrentam dificuldades de locomoção ou acesso aos postos de atendimento do Cadastro Único, incluindo idosos, pessoas com deficiência, moradores de áreas isoladas e grupos em situação de vulnerabilidade social.
Já a obrigatoriedade vale para situações específicas previstas em lei e nas novas normas do governo federal. Entre os grupos que obrigatoriamente deverão passar por entrevista domiciliar estão:
- famílias unipessoais com perfil de elegibilidade para programas sociais;
- beneficiários do Bolsa Família e do BPC em situações específicas;
- famílias incluídas em ações de qualificação cadastral;
- cadastros com indícios de irregularidade ou inconsistências nas informações.
Segundo o ministério, a medida busca evitar fraudes, melhorar a atualização cadastral e garantir maior precisão nos dados utilizados pelos programas sociais federais.
Novas regras aumentam controle sobre possíveis fraudes
A normativa publicada pelo governo também estabelece protocolos para situações em que a entrevista não pode ser concluída ou quando existem suspeitas de irregularidades.
Entre os principais cenários previstos estão os casos de endereço inexistente, domicílio não localizado, ausência do responsável familiar e recusa em prestar informações.
Quando o endereço informado não existir, por exemplo, o caso poderá ser tratado como forte indício de fraude cadastral. Nessas situações, os municípios deverão seguir procedimentos previstos nas Instruções Normativas SAGICAD nº 18 e nº 21 de 2026.
Outro ponto importante envolve residências não localizadas pelas equipes de campo. Segundo as novas orientações, após três tentativas sem sucesso de contato com o Responsável Familiar (RUF) o benefício pode ser cortado.
A normativa também prevê medidas para situações mais delicadas, incluindo ameaça, intimidação ou risco à integridade física dos entrevistadores sociais. Nesses casos, a entrevista deverá ser interrompida imediatamente e a equipe poderá comunicar o ocorrido à gestão municipal, que avaliará possível exclusão do cadastro por ausência de atualização.
Governo cria novos instrumentos de fiscalização
Para reforçar o monitoramento das visitas domiciliares, o MDS também criou dois novos instrumentos obrigatórios para as equipes de campo: o Diário de Campo e o Formulário de Campo.
O Diário de Campo será utilizado para planejamento das rotas e organização das famílias que serão visitadas durante o dia.
Já o Formulário de Campo deverá registrar tudo o que aconteceu durante a visita, incluindo:
- realização ou não da entrevista;
- dificuldades encontradas;
- suspeitas de inconsistências;
- sinais de vulnerabilidade social;
- possíveis violações de direitos;
- encaminhamentos feitos à rede socioassistencial.
Segundo o ministério, os documentos serão fundamentais para que o governo federal acompanhe as dificuldades enfrentadas pelos municípios e formule novas políticas de apoio às equipes locais.
Entrevistadores terão exigências específicas
As novas regras também reforçam exigências para atuação dos entrevistadores sociais. Deverão ser, ao menos, 2 entrevistadores no local.
O profissional entrevistador deverá possuir ensino médio completo; capacitação específica do MDS; e habilitação para preenchimento dos formulários oficiais. Ainda, deve ser supervisionado por Técnico de nível superior, responsável por orientar as equipes e organizar o trabalho nas áreas atendidas.
O MDS lembra ainda que a ocupação de entrevistador social já está oficialmente reconhecida na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) desde 2016.
Como funcionará o cadastro domiciliar
O governo federal definiu um roteiro técnico obrigatório para realização das entrevistas em domicílio.
O processo será dividido em cinco etapas:
- Planejamento: A equipe municipal deverá selecionar as famílias prioritárias, organizar rotas e avaliar condições de segurança das áreas atendidas.
- Preparação: Os entrevistadores precisarão conferir materiais de trabalho, tablets, formulários, crachás e identificação visual.
- Apresentação: Na chegada ao imóvel, o profissional deverá explicar o motivo da visita e informar que os dados possuem sigilo garantido.
- Coleta de dados: A entrevista deverá ocorrer de forma respeitosa, com conferência documental e análise da situação socioeconômica da família.
- Finalização: Após a visita, as informações serão registradas no sistema oficial do Cadastro Único.
Entrevistador não pode invadir a residência
Outro ponto destacado pela nova instrução normativa envolve a proteção constitucional da residência das famílias.
O MDS reforçou que os entrevistadores não podem entrar no imóvel sem autorização do morador. A recomendação oficial é que a entrevista seja realizada preferencialmente na área externa da residência.
Segundo o ministério, o respeito à inviolabilidade do domicílio é obrigatório e deve ser observado durante todas as etapas do cadastramento domiciliar.
O Cadastro Único reúne informações de famílias de baixa renda em todo o país e funciona como principal base de dados para acesso a programas sociais federais.
Entre os benefícios vinculados ao sistema estão:
- Bolsa Família;
- Benefício de Prestação Continuada (BPC);
- Tarifa Social de Energia;
- Pé-de-Meia;
- Auxílio Gás;
- Minha Casa Minha Vida;
- entre outros programas sociais.
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