Os brasileiros que recebem o salário mínimo hoje, ou seja, R$ 1.212,00, estão ganhando 4,95 vezes menos do que o mínimo necessário para que uma família com dois adultos e duas crianças - em média - possa suprir suas necessidades básicas.

O dado é da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos divulgada nessa semana pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Isso significa que em janeiro, os brasileiros deveriam ter recebido um salário mínimo de R$ 5.997,14.

A pesquisa estabelece esse valor considerando as despesas médias de um trabalhador com a família, alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência. O levantamento é feito todos os meses.

Alta é de 3,4% em relação a dezembro

No mês de dezembro de 2021, o levantamento apontava que o salário mínimo necessário deveria ter sido de R$ 5.800,98. Dessa forma, o resultado de janeiro representa um aumento de 3,4% em relação ao valor do mês anterior.

Segundo o Dieese, essa elevação foi puxada principalmente pelos alimentos, já que em 16 de 17 capitais avaliadas, houve elevação no preço da cesta básica (saiba mais abaixo). Os maiores aumentos foram registrados em Brasília (6,36%), Aracaju (6,23%), João Pessoa (5,45%), Fortaleza (4,89%) e Goiânia (4,63%).

16 capitais registram elevação da cesta básica

A pesquisa aponta que São Paulo foi o local onde a cesta básica apresentou maior custo: uma média de R$ 713,86 pelo pacote básico de alimentos. Florianópolis que vinha liderando a lista no fim de 2021 está agora em segundo lugar com uma cesta básica de R$ 695,59.

Além dessas capitais, Rio de Janeiro é o terceiro colocado com R$ 692,83, seguido por Vitória (R$ 677,54) e Porto Alegre (R$ 673,00). Entre as cidades do Norte e Nordeste, onde a composição da cesta é diferente das demais capitais, os menores valores médios foram observados em Aracaju (R$ 507,82), João Pessoa (R$ 538,65) e Salvador (R$ 540,01).

A comparação do valor da cesta em 12 meses, ou seja, entre os preços de janeiro de 2022 e os de janeiro de 2021, mostrou que as maiores altas acumuladas ocorreram em Natal (21,25%), Recife (14,52%), João Pessoa (14,15%) e Campo Grande (14,08%).

As menores variações acumuladas foram registradas em Florianópolis (6,79%) e Belo Horizonte (6,85%).

Mais de 112 horas de trabalho são necessárias

Tendo como base essas informações, o Dieese também calcula que em janeiro de 2022, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica foi de 112 horas e 20 minutos. Em dezembro de 2021, a jornada necessária foi calculada em 119 horas e 53 minutos e, em janeiro do mesmo ano, a média foi de 111 horas e 46 minutos.

Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto de 7,5% referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu em média, em janeiro de 2022, mais da metade (55,20%) do rendimento para adquirir os produtos alimentícios básicos, mesmo com o reajuste de 10,18% dado ao salário mínimo. Em 2021, quando o salário mínimo era de R$ 1.100,00, o percentual foi de 58,91%, em dezembro, e de 54,93%, em janeiro.

Histórico do salário mínimo necessário

Confira abaixo o histórico comparando o salário inimo real (nominal) com o que seria o mínimo necessário nos últimos dois anos:

Período Salário mínimo nominal Salário mínimo necessário
2022
Janeiro R$ 1.212,00 R$ 5.997,14
2021
Dezembro R$ 1.100,00 R$ 5.800,98
Novembro R$ 1.100,00 R$ 5.969,17
Outubro R$ 1.100,00 R$ 5.886,50
Setembro R$ 1.100,00 R$ 5.657,66
Agosto R$ 1.100,00 R$ 5.583,90
Julho R$ 1.100,00 R$ 5.518,79
Junho R$ 1.100,00 R$ 5.421,84
Maio R$ 1.100,00 R$ 5.351,11
Abril R$ 1.100,00 R$ 5.330,69
Março R$ 1.100,00 R$ 5.315,74
Fevereiro R$ 1.100,00 R$ 5.375,05
Janeiro R$ 1.100,00 R$ 5.495,52
2020
Dezembro R$ 1.045,00 R$ 5.304,90
Novembro R$ 1.045,00 R$ 5.289,53
Outubro R$ 1.045,00 R$ 5.005,91
Setembro R$ 1.045,00 R$ 4.892,75
Agosto R$ 1.045,00 R$ 4.536,12
Julho R$ 1.045,00 R$ 4.420,11
Junho R$ 1.045,00 R$ 4.595,60
Maio R$ 1.045,00 R$ 4.694,57
Abril R$ 1.045,00 R$ 4.673,06
Março R$ 1.045,00 R$ 4.483,20
Fevereiro R$ 1.045,00 R$ 4.366,51
Janeiro R$ 1.039,00 R$ 4.347,61
Fonte: Dieese