O modelo do Concurso Nacional Unificado (CNU) poderá passar por uma importante ampliação nos próximos anos. Além de reunir vagas para órgãos federais, o chamado "Enem dos Concursos" pode incluir oportunidades destinadas aos governos estaduais, caso os estudos conduzidos pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap) avancem.
A possibilidade foi revelada pela presidente da Enap, Betânia Lemos, durante entrevista ao portal Jota. Segundo ela, a instituição mantém conversas com o Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração (Consad) para viabilizar um modelo que permita selecionar servidores estaduais por meio do CNU.
A proposta ainda está em fase de estudos e não há confirmação de quando poderá ser implementada. A ideia inicial é incluir carreiras administrativas e de gestão que possuam requisitos semelhantes entre os estados, permitindo a aplicação de uma única prova para candidatos interessados em vagas distribuídas por diferentes unidades da federação.
Caso o projeto avance, o CNU poderá consolidar-se não apenas como principal porta de entrada para o serviço público federal, mas também como uma alternativa para a seleção de servidores estaduais.
Enap poderá assumir organização integral do CNU
Outra mudança prevista para as próximas edições é a ampliação da participação da Enap na organização do concurso. A partir da terceira edição, a escola deverá assumir integralmente a coordenação operacional do certame, permanecendo com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) apenas a definição das políticas públicas relacionadas ao concurso.
O governo federal trabalha com a expectativa de realizar novas edições do CNU a cada dois anos. Entretanto, a continuidade desse modelo dependerá das decisões da próxima administração federal, que tomará posse em 2027.
Governo prevê quase 7 mil nomeações em 2026
Enquanto discute o futuro do concurso, o governo federal concentra esforços na convocação dos aprovados nos certames já realizados.
A ministra da Gestão e da Inovação, Esther Dweck, informou que cerca de 7 mil nomeações devem ocorrer ao longo de 2026, contemplando vagas imediatas e também candidatos do cadastro de reserva.
Entre os principais números previstos estão:
- CNU 1: 3.652 aprovados aguardam nomeação;
- CNU 2: novas convocações deverão ocorrer durante 2026;
- Polícia Federal: 1.000 vagas já autorizadas, com possibilidade de ampliação para até 2.500 nomeações ao longo do atual governo.
Segundo o Ministério da Gestão, a prioridade é aproveitar os concursos já homologados antes da autorização de novos editais.
Convocações podem ocorrer durante o período eleitoral
O calendário eleitoral não impede a nomeação dos aprovados em concursos públicos já homologados antes do início das restrições previstas na legislação.
Assim, tanto os aprovados no CNU 1 quanto no CNU 2 poderão ser convocados normalmente durante o segundo semestre, desde que os respectivos concursos estejam homologados dentro do prazo legal.
Aposentadorias reforçam necessidade de novos servidores
Outro fator que fortalece a política de concursos públicos é o elevado número de aposentadorias previsto para os próximos anos. De acordo com estimativas do MGI, aproximadamente 70 mil servidores federais deverão se aposentar entre 2026 e 2030.
Esse cenário aumenta a necessidade de reposição de pessoal e ajuda a explicar a estratégia do governo de acelerar as nomeações dos concursos já realizados, mantendo a continuidade dos serviços públicos.
O CNU pode abrir vagas para governos estaduais?
Sim. O CNU pode abrir vagas para governos estaduais em futuras edições. A proposta está sendo estudada pela Enap em parceria com o Consad, mas ainda não há confirmação oficial sobre a implantação do novo modelo.
Quando o CNU pode incluir vagas estaduais?
Ainda não existe uma data definida. A proposta de que o CNU pode abrir vagas para governos estaduais está em fase de estudos e dependerá da conclusão das negociações e das decisões do próximo governo federal.
O CNU continuará realizando nomeações em 2026?
Sim. Mesmo com a discussão sobre a ampliação do modelo, o governo prevê cerca de 7 mil nomeações em 2026. A proposta de que o CNU pode abrir vagas para governos estaduais não altera as convocações dos concursos já realizados.
Kethleen Kinast
Porto-alegrense com experiência em Social Media e redação de textos informativos. Tecnologia e informação sempre andam juntos no meu dia a dia.
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