O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito civil para investigar a demora nas convocações dos aprovados no concurso dos Correios realizado em 2024. A apuração foi aberta após a estatal não apresentar todas as informações solicitadas durante uma fase preliminar do procedimento e busca esclarecer o planejamento de nomeações para os cargos da área operacional, especialmente nas unidades do Mato Grosso.

A iniciativa reacendeu a expectativa de milhares de candidatos aprovados, principalmente para os cargos de carteiro e analista, que aguardam convocação mesmo após a homologação do certame e a prorrogação de sua validade. Embora o procedimento do MPF não determine a contratação imediata dos aprovados, ele busca verificar se a empresa pública está observando os princípios da administração pública, como transparência, eficiência e respeito ao prazo de validade do concurso.

A investigação foi formalizada por meio da Portaria nº 11, publicada em 22 de julho de 2026 e assinada pelo procurador da República Erich Raphael Masson. Entre os principais pontos analisados estão a ausência de um cronograma oficial para as admissões e os motivos que levaram ao atraso nas convocações da área operacional.

Veja o documento:

Portaria Nº 11-2026/Créditos: Divulgação/Diário Oficial MPF

Concurso ofertou mais de 3,5 mil vagas

O concurso dos Correios, lançado em 2024, disponibilizou 3.544 vagas em todo o país, distribuídas entre dois editais distintos.

O maior deles contemplou a área operacional, com 3.511 vagas destinadas aos cargos de carteiro e analista. Já o segundo edital ofereceu 33 vagas para profissionais do Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT).

Apesar de ambos os concursos já terem sido homologados, apenas os aprovados do SESMT foram convocados até o momento. As primeiras chamadas ocorreram em abril deste ano, preenchendo todas as vagas imediatas previstas no edital.

Já os candidatos da área operacional continuam aguardando qualquer anúncio oficial sobre o início das admissões.

Concurso continua válido até 2027

Mesmo sem convocação para os cargos operacionais, o concurso permanece dentro do prazo de validade.

Após prorrogação, o edital da área operacional segue vigente até abril de 2027, período em que os Correios ainda poderão convocar aprovados conforme a necessidade de pessoal, disponibilidade orçamentária e planejamento interno da empresa.

Já o concurso do SESMT possui validade até novembro de 2026. Embora as 33 vagas imediatas já tenham sido preenchidas, ainda existe a possibilidade de utilização do cadastro de reserva caso surjam novas demandas durante a vigência do certame.

MPF busca informações sobre planejamento

Com a abertura do inquérito, o Ministério Público Federal deverá solicitar novamente esclarecimentos aos Correios.

Entre as informações esperadas estão o cronograma de futuras convocações, o planejamento para recomposição do quadro de pessoal e as justificativas para a ausência de nomeações na área operacional desde a homologação do concurso.

Até o momento, os Correios não divulgaram posicionamento oficial sobre o procedimento instaurado pelo MPF.

A investigação também não representa obrigação imediata de convocar os aprovados. O objetivo é verificar se a estatal está conduzindo o aproveitamento dos candidatos dentro dos parâmetros legais e administrativos previstos para concursos públicos.

Prejuízo bilionário amplia debate sobre novas contratações

O cenário das futuras admissões também ocorre em meio às dificuldades financeiras enfrentadas pelos Correios.

No primeiro trimestre de 2026, a empresa registrou prejuízo de aproximadamente R$ 3 bilhões, quase o dobro do resultado negativo observado no mesmo período de 2025, quando as perdas ficaram em R$ 1,7 bilhão.

Segundo a estatal, parte significativa desse resultado foi influenciada por despesas judiciais e pagamento de precatórios, que somaram cerca de R$ 1,4 bilhão no período. Em 2025, o déficit anual já havia alcançado R$ 8,5 bilhões.

Para enfrentar a crise financeira, os Correios mantêm um plano de reestruturação iniciado em 2025, que prevê medidas como venda de imóveis, fechamento de unidades, programa de desligamento voluntário e contratação de financiamento com garantia da União.

Mesmo diante desse cenário, o concurso da área operacional continua válido e a possibilidade de novas convocações permanece aberta até o encerramento de sua vigência, previsto para abril de 2027.