Criado em 2019, o saque-aniversário permite que os trabalhadores brasileiros retirem a cada ano uma parte do saldo de qualquer conta ativa ou inativa do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), no mês de seu aniversário. Porém, aqueles que aderem a essa modalidade têm um prazo para fazer esse saque.

Acontece que a liberação dos valores segue um calendário divulgado pela Caixa Econômica Federal. A cada mês, os valores são entregues aos nascidos naqueles mês e eles têm 90 dias para fazer a retirada. Depois disso, o valor volta para a conta do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

Por isso, seguindo esse calendário, os nascidos no mês de junho precisam ficar atentos, pois para esse grupo, o prazo para fazer a retirada do valor termina nesse mês, mais especificamente no dia 31 de agosto.

Também já podem resgatar os valores os nascidos em julho e agosto. Para os nascidos entre janeiro e maio, o prazo já acabou. Veja abaixo o calendário completo e a tabela de valores do saque aniversário 2022.

Calendário do saque-aniversário em 2022

As datas em que os valores serão liberados para cada grupo são as seguintes:

Mês de nascimento Período de pagamento
Janeiro 3 de janeiro a 31 de março
Fevereiro 1º de fevereiro e 29 de abril
Março 2 de março a 31 de maio
Abril 1º de abril a 30 de junho
Maio 2 de maio a 29 de julho
Junho 1º de junho a 31 de agosto
Julho 1º de julho a 30 de setembro
Agosto 1º de agosto a 31 de outubro
Setembro 1º de setembro a 30 de novembro
Outubro 3 de outubro a 30 de dezembro
Novembro 1º de novembro a 31 de janeiro de 2023
Dezembro 1º de dezembro a 28 de fevereiro de 2023
Fonte: Caixa Econômica Federal

Saldos e valores

O valor a que o trabalhador que aderiu ao saque-aniversário tem direito a retirar a cada ano depende do saldo em cada conta do FGTS. Para contas com saldo de até R$ 500, poderá ser retirado 50% do total. A partir daí, o percentual cai, mas será paga um valor fixo adicional, que aumenta conforme o saldo total. O cálculo ocorre da seguinte forma.

Saldo no FGTS Percentual de saque Parcela adicional
Até R$ 500 50% do saldo sem adicional
De R$ 500,01 40% do saldo R$ 50
De R$ 1.000,01 até R$ 5 mil 30% do saldo R$ 150
De R$ 5.000,01 até R$ 10 mil 20% do saldo R$ 650
De R$ 10.000,01 até R$ 15 mil 15% do saldo R$ 1.150
De R$ 15.000,01 até R$ 20 mil 10% do saldo R$ 1,9 mil
Acima de R$ 20.000,01 5% do saldo R$ 2,9 mil
Fonte: Caixa Econômica Federal

Como funciona o saque-aniversário?

Como dito acima, o saque-aniversário é uma modalidade que permite a retirada de uma quantia das contas do FGTS uma vez por ano, a partir do mês de aniversário. Em troca, porém, o trabalhador abre mão de algumas coisas.

Uma dela é o direito de receber o FGTS em caso de demissão sem justa causa. O pagamento da multa de 40% nessas situações está mantido. As demais possibilidades de saque do FGTS - como compra de imóveis, aposentadoria e doenças graves - não são afetadas pelo saque-aniversário.

Atualmente, cerca de 17,8 milhões de pessoas já aderiram ao saque-aniversário. O período de saques começa sempre no primeiro dia útil do mês de aniversário do trabalhador. Os valores ficam disponíveis até o último dia útil do segundo mês subsequente. Caso o dinheiro não seja retirado no prazo, volta para as contas do FGTS em nome do trabalhador.

Como aderir?

A adesão a esse tipo de modalidade é voluntária e pode ser feita por meio do aplicativo oficial do FGTS, disponível para smartphones e tablets dos sistemas Android e iOS. O processo também pode ser feito no site da Caixa Econômica Federal ou nas agências do banco.

Se quiser receber o dinheiro no mesmo ano, o trabalhador deverá optar pelo saque-aniversário até o último dia do mês de nascimento. Caso contrário, só receberá a partir do ano seguinte.

Pode desistir?

A qualquer momento o trabalhador pode desistir do saque-aniversário e voltar para a modalidade tradicional, que só permite a retirada em casos especiais, como demissão sem justa causa, aposentadoria, doença grave ou compra de imóveis.

A decisão, porém, exige cuidado. Ao voltar para o saque tradicional, o trabalhador ficará dois anos sem poder sacar o saldo da conta no FGTS, mesmo em caso de demissão. Se for dispensado, receberá apenas a multa de 40%.

Como sacar?

Por causa da pandemia de covid-19, a Caixa orienta o resgate por meio do aplicativo FGTS. Nesse caso, o trabalhador pode programar a transferência do dinheiro para qualquer conta em seu nome, independentemente do banco. A operação não tem custo.

As retiradas podem ser feitas nas casas lotéricas e em terminais de autoatendimento para quem tem senha do Cartão Cidadão. Quem tem Cartão Cidadão e senha pode sacar nos correspondentes Caixa Aqui, caso esses estabelecimentos estejam autorizados a abrir. Basta apresentar documento de identificação.

E vale a pena sacar o FGTS?

Quando o dinheiro está na conta do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) ele tem um rendimento, que tem como base a Taxa Selic, assim como a poupança. Atualmente a conta do FGTS está rendendo cerca de 3% ao ano mais a Taxa Referencial (TR), que atulmente está em cerca de 0,1484% ao mês.

Dessa forma, uma soma de R$ 1 mil, por exemplo rende, no primeiro mês, cerca de R$ 3,471. No ano, cerca de 4,1652%. Ou seja, cerca de R$ 31,48. Mas se esse dinheiro for sacado, será que tem como render um pouquinho mais? A gente já te adianta: tem sim!

Na poupança, esse R$ 1 mil teria um rendimento de 6% ao ano, mais a Taxa Referencial (TR), conforme dados do Banco Central. Atualmente isso dá cerca de 0,6972% ao mês. Dessa forma, o R$ 1 mil renderia cerca de R$ 6,972 no primeiro mês.

Já o rendimento a 100% do CDI é ainda melhor. Com a elevação da Selic, o CDI está em cerca de 13,15% ao ano. Isso significa que por mês são cerca de 1,09% que, com o desconto dos imposto fica em cerca de 1% ao ano. Dessa forma, o R$ 1 mil renderia no primeiro mês cerca de R$ 10,00.