Milhares de estudantes brasileiros com contratos do Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) ganharam uma nova oportunidade para regularizar pendências financeiras em 2026. A Caixa Econômica Federal já começou a oferecer as condições do programa Desenrola FIES, iniciativa criada pelo Governo Federal para facilitar a renegociação de contratos em atraso e reduzir a inadimplência no financiamento estudantil.
A nova rodada de renegociação permite bons descontos, incluindo abatimentos que podem chegar a 99% do valor consolidado da dívida em casos específicos. A medida contempla estudantes com contratos formalizados até 2017 e que estavam em fase de amortização em 4 de maio de 2026.
Segundo as regras divulgadas, os interessados terão até o dia 31 de dezembro de 2026 para aderir ao programa. O procedimento pode ser realizado diretamente pelo sistema do FIES da Caixa ou presencialmente nas agências do banco.
A iniciativa amplia as possibilidades de regularização financeira para milhares de pessoas que enfrentam dificuldades para quitar parcelas do financiamento estudantil, especialmente após anos de juros acumulados e atrasos prolongados.
Programa amplia renegociação de dívidas estudantis
O Desenrola FIES 2026 foi instituído por meio da Medida Provisória nº 1.355/2026, assinada em maio deste ano. A proposta altera regras da Lei nº 10.260/2001, responsável pela regulamentação do FIES, e cria mecanismos especiais para negociação dos contratos em atraso.
O principal objetivo é reduzir os índices de inadimplência do programa e permitir que estudantes retomem sua vida financeira com condições mais acessíveis de pagamento.
As condições oficiais foram definidas pela Resolução CG-FIES nº 66, publicada em 11 de maio de 2026. Entre os principais benefícios estão o perdão de juros, parcelamentos extensos e descontos elevados para liquidação da dívida.
Quem pode participar do Desenrola FIES
O programa atende estudantes que:
- Possuem contratos formalizados até 2017;
- Estavam em fase de amortização em 4 de maio de 2026;
- Possuem parcelas em atraso ou desejam quitar antecipadamente o saldo devedor.
Os descontos variam conforme o tempo de inadimplência e o perfil do estudante.
Veja como funcionam os descontos
As condições de renegociação mudam de acordo com o tempo de atraso das parcelas.
Débitos vencidos há mais de 90 dias
Os estudantes nessa situação poderão optar por:
- Pagamento à vista com desconto total dos encargos e redução de até 12% do valor principal;
- Parcelamento em até 150 meses, com perdão de 100% dos juros e multas.
Essa modalidade é considerada uma das principais portas de entrada para quem deseja reorganizar as finanças sem necessidade de quitação imediata do débito.
Estudantes inscritos no CadÚnico
Os maiores descontos serão destinados aos estudantes inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal.
Quem possui débitos vencidos há mais de 360 dias poderá obter:
- Desconto de até 99% do valor consolidado da dívida para pagamento integral.
Na prática, isso significa que parte significativa do saldo devedor poderá ser perdoada, dependendo da situação financeira do beneficiário.
Demais estudantes com atraso superior a 360 dias
Os estudantes que não estão inscritos no CadÚnico, mas possuem contratos com atraso superior a um ano, também poderão renegociar com abatimentos relevantes.
Nesse caso, o programa prevê:
- Desconto de até 77% do valor total consolidado da dívida, incluindo o principal.
Contratos em dia ou com atraso inferior a 90 dias
Até mesmo estudantes adimplentes poderão receber vantagens.
Quem está com o contrato regularizado ou possui atraso inferior a 90 dias poderá obter:
- Desconto de 12% sobre o valor consolidado da dívida para pagamento à vista.
Renegociação pode ser feita pela internet
A formalização da renegociação poderá ser realizada:
- Pelo sistema eletrônico do FIES da Caixa;
- Diretamente nas agências da Caixa Econômica Federal.
O banco atua como agente financeiro do programa, responsável pela operacionalização dos contratos conforme as regras definidas pelo MEC e pelo FNDE.
A expectativa é que o programa movimente um grande volume de renegociações até o fim de 2026, especialmente entre estudantes que acumulam débitos há vários anos.
Novo Desenrola Brasil também permitirá uso do FGTS
Além do Desenrola FIES, o Governo Federal também iniciou a implementação do Novo Desenrola Brasil, modalidade que permitirá o uso de recursos do FGTS para renegociação de dívidas bancárias.
Segundo a Caixa, os trabalhadores poderão utilizar parte do saldo do Fundo de Garantia para liquidar ou amortizar dívidas renegociadas a partir de 25 de maio de 2026.
A medida foi regulamentada pela Circular Caixa nº 1.114/2026 e segue as regras da MP nº 1.355/2026.
Como funcionará o uso do FGTS
O trabalhador deverá:
- Atualizar o aplicativo FGTS;
- Autorizar instituições financeiras a consultarem os valores disponíveis;
- Permitir o uso do saldo para liquidação ou amortização das dívidas.
As operações poderão ser feitas sem necessidade de comparecimento às agências da Caixa, em dinâmica semelhante a outras modalidades bancárias já existentes.
Limites para uso do fundo
O programa estabelece algumas regras para utilização do FGTS:
- Limite de saque de até R$ 1 mil por trabalhador ou 20% do saldo disponível, prevalecendo o maior valor;
- Utilização de contas ativas e inativas;
- Prioridade para uso de contas inativas;
- Suspensão temporária do Saque-Aniversário até recomposição dos valores utilizados.
Também será possível utilizar valores bloqueados em operações de antecipação do Saque-Aniversário, desde que respeitados os contratos firmados com as instituições financeiras.
Caixa fará pagamentos automáticos de valores desbloqueados
Outra medida anunciada envolve trabalhadores que tiveram contratos suspensos ou encerrados entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025.
Segundo a Caixa, parte dos valores bloqueados em operações de antecipação do Saque-Aniversário será liberada automaticamente no dia 26 de maio de 2026.
Os depósitos serão realizados diretamente na conta cadastrada no aplicativo FGTS.
A estimativa do governo é liberar cerca de R$ 8,5 bilhões para aproximadamente 10,5 milhões de trabalhadores em todo o país.
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